Mallorca, na Espanha, abriga mais de 4.000 cavidades espeleológicas submarinas, ambientes que funcionam como refúgio para seres vivos e ajudam em pesquisas sobre o nível do mar, as marés e comunidades biológicas especializadas.
A pressão sobre esses espaços cresceu junto com o fluxo turístico na ilha. O número de visitantes passou de 320 mil em 1959 para quase 20 milhões em 2019. Pesquisadores e especialistas em conservação marinha apontam a massificação do turismo como a principal ameaça à preservação das cavernas.
Mesmo nos locais abertos à visitação, onde existem regras e pessoal de segurança, são registrados problemas como a retirada irregular de objetos, a quebra de espeleotemas e o acesso de pessoas a cavernas que antes não eram conhecidas pelo público.
Também há relatos de comportamentos que podem afetar os animais e o equilíbrio desses ambientes: visitantes acendem lanternas diretamente sobre a fauna, gritam, pulam, se jogam de barriga e chegam a quebrar estalactites. O impacto sobre o ecossistema pode ser irreversível.
Para Guiem Mulet, presidente da Federação Balear de Espeleologia, a entrada nesses locais exige o mesmo cuidado dedicado a obras expostas em um museu. “Uma caverna é como um museu; quando você entra em um museu, não começa a tocar nas esculturas nem nos quadros”, afirmou.
Xisco Gràcia, integrante da área de espeleologia, criticou especialmente visitantes do turismo de aventura que não conhecem as cavernas e agem como se estivessem em uma discoteca.



