A Fecombustíveis alertou para os efeitos da instabilidade do mercado internacional de petróleo sobre os preços e o abastecimento de combustíveis no Brasil. A entidade representa cerca de 40 mil postos e afirmou que eventuais aumentos ao consumidor não devem ser avaliados apenas pelo valor exibido nas bombas.
"Qualquer avaliação sobre a evolução dos preços deve considerar todo o percurso do combustível", afirmou a federação, citando etapas como produção, importação, refino, distribuição, logística, tributação e a mistura obrigatória de biocombustíveis.
A manifestação ocorreu na mesma semana em que o preço médio do diesel S-10 subiu 2,3% nos postos brasileiros, para R$7,13 por litro, conforme levantamento da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O valor é o maior desde o final de maio.
A alta ocorre durante o início do plantio de soja no país, período considerado de maior demanda por diesel. No mercado externo, o petróleo Brent terminou a sexta-feira cotado a US$104,87 por barril, ante cerca de US$93 no início do mês.
Pressão sobre importadores
A elevação das cotações internacionais ampliou a diferença entre os preços externos e os praticados pela Petrobras no Brasil. Executivos dos setores de distribuição e importação disseram que a defasagem levou importadores a adiar decisões de compra e aumentou a preocupação com possíveis restrições localizadas de oferta e distorções regionais.
Os preços foram influenciados pela retomada dos ataques entre os Estados Unidos e o Irã, pela intensificação das atividades militares dos houthis, aliados do Irã, e por desdobramentos dos conflitos entre Rússia e Ucrânia.
O governo brasileiro tem adotado programas de subvenção ao diesel para reduzir os impactos da alta. Ainda assim, 30% do combustível consumido no país é importado, e nem todos os agentes participam das iniciativas governamentais.
A Petrobras informou aumento de R$1 por litro no preço médio do diesel destinado às distribuidoras, com validade a partir de quinta-feira. A empresa acrescentou que concedeu desconto no mesmo valor por meio da subvenção econômica do governo federal, neutralizando o reajuste.



