Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Economia

Acordo pode ampliar valor do café brasileiro vendido à Alemanha

Brasil lidera fornecimento de café verde à Alemanha, mas país europeu concentra etapas de processamento e comercialização do produto.

Acordo pode ampliar valor do café brasileiro vendido à Alemanha

A Alemanha é um dos principais destinos do café brasileiro e concentra etapas que aumentam o valor do produto antes de ele chegar ao consumidor. Em 2025, o Brasil respondeu por 44% das importações alemãs de café verde, segundo a Associação Alemã de Café.

O país europeu importa mais de 1 milhão de toneladas de café verde por ano e reúne cerca de 900 empresas de torrefação. No ano passado, também foi o principal destino das exportações brasileiras de café, com 5,4 milhões de sacas, equivalentes a 13,5% dos embarques do Brasil, conforme o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).

Da produção ao produto final

O café exportado pelo Brasil pode ser misturado, torrado, descafeinado ou transformado em produtos solúveis na Alemanha. Depois dessas etapas, o produto é vendido no mercado alemão ou segue para outros países. É nesse processo que a indústria local agrega valor ao grão produzido no Brasil.

Marcos Matos, diretor do Cecafé, afirma que a Alemanha atua em diferentes elos da cadeia, com marcas, armazéns e indústrias de café torrado e moído e de cafés solúveis. A diferença entre os dois países está ligada, segundo ele, à estrutura econômica e à trajetória histórica de cada um: o Brasil se consolidou como exportador de commodities, enquanto a Alemanha desenvolveu uma indústria voltada à agregação de valor.

A relação entre os países também tem um episódio nos anos 1970. Uma quebra de safra no Brasil elevou os preços internacionais do café, enquanto o aumento do petróleo encareceu as importações. Na antiga Alemanha Oriental, foi criado o chamado Kaffee-Mix, com 51% de café e 49% de substitutos. O produto, segundo o DDR Museum, não agradou ao paladar dos consumidores e chegou a entupir máquinas de café.

Efeito do acordo Mercosul-UE

A discussão atual envolve a possibilidade de realizar mais etapas da cadeia no Brasil. O acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia acrescenta esse tema ao debate ao prever a redução gradual de tarifas para produtos como café solúvel, hoje sujeito a 9%, e café torrado e moído, taxado em 7,5%. A vigência provisória começou em 1º de maio deste ano.

A retirada gradual dessas tarifas pode melhorar as condições de venda de produtos brasileiros de maior valor agregado na Europa e aproximar o Brasil de países que já acessam o mercado sem tarifa, como o Vietnã. A medida, porém, não garante por si só a expansão da industrialização do café no país.

Para ampliar o processamento no Brasil, seriam necessários investimentos em capacidade industrial, tecnologia e logística. Matos também vê possibilidade de participação de empresas alemãs, que poderiam investir na produção próxima à matéria-prima e manter integração com os mercados consumidores.

Oportunidades para o Brasil

A agregação de valor pode ocorrer por meio de cafés especiais, processamento na origem, cafés solúveis, marcas brasileiras mais fortes e relações diretas com compradores internacionais. Holger Preibisch, CEO da Associação Alemã de Café, também cita qualidade, produtos diferenciados, organizações de produtores mais fortes e parcerias de longo prazo.

Os cafés diferenciados representaram 20,3% das exportações brasileiras entre janeiro e dezembro de 2025. A Alemanha foi o segundo principal destino desse segmento, com 1,2 milhão de sacas, segundo o Cecafé.

A quantidade de processamento feita no Brasil dependerá da demanda comercial. Para Preibisch, regras mais previsíveis e menos barreiras podem estimular investimentos em processamento, embalagem e comercialização. O executivo afirma que empresas brasileiras e alemãs podem desenvolver produtos e modelos de negócio com geração de valor nos dois países.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.