BRASÍLIA — O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia nesta terça-feira, 14, uma reunião para definir a taxa básica de juros. A decisão será divulgada no final da tarde de quarta-feira. Entre as 78 instituições consultadas, 75 projetam redução de 0,25 ponto porcentual, que levaria a Selic para 13,75% ao ano. Três esperam a manutenção do nível atual.
A aposta em um corte é sustentada pelo alívio da inflação no curto prazo e por sinais mais consistentes de desaceleração da atividade econômica. A principal dúvida do mercado está na orientação que o Copom dará para as próximas decisões.
Incertezas para os juros
A expectativa dos economistas é que o Banco Central evite indicar previamente os próximos movimentos e mantenha espaço para ajustar a taxa conforme a divulgação de novos dados. A proximidade da eleição presidencial deve aumentar a incerteza sobre o cenário econômico e sobre a condução da política monetária.
Entre os fatores acompanhados estão o câmbio e o comportamento do petróleo, que permanece em US$ 100 em meio a novas tensões no Oriente Médio. A chegada do super El Niño no fim do ano também preocupa, pelos possíveis efeitos indiretos sobre a economia e a inflação.
A mediana das projeções coloca a Selic em 13,75% ao fim de 2026, indicando que o corte de setembro pode ser o último do ano. Essa é também a estimativa intermediária da pesquisa Focus, do Banco Central.
Para Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, a atividade mais fraca dá suporte à redução neste mês. “Foi um PIB do segundo trimestre com consumo das famílias negativo e indústria e serviços mais fracos em julho”, afirmou. Na avaliação dele, a incerteza sobre o próximo governo deve levar o Banco Central a adotar uma postura mais conservadora, já que as decisões atuais terão efeitos em 2027.
Projeções dividem o mercado
Flavio Serrano, economista-chefe do Banco Bmg, considera que o corte de 0,25 ponto na reunião de setembro está consolidado. Ele avalia, porém, que a desaceleração da atividade aumentou a possibilidade de uma nova redução em novembro, levando a Selic a 13,5% ao fim de 2026.
Serrano aponta a reunião de dezembro como um momento importante para avaliar os efeitos do El Niño. O fenômeno também pode elevar marginalmente as expectativas de inflação para 2027, dependendo da extensão e da duração do impacto.
Já Rodolfo Margato, economista da XP Investimentos, vê espaço para cortes até dezembro, com a Selic chegando a 13,25% ao ano. Para ele, a perda de ritmo da economia se espalhou por setores mais sensíveis ao ciclo, enquanto o estímulo fiscal não impulsionou a demanda de forma suficiente diante do endividamento elevado de famílias e empresas. A projeção, nesse cenário, é de inflação mais pressionada no fim de 2026.


