HANNOVER, ALEMANHA — A Daimler Truck defende mudanças nas regras europeias para que as metas de descarbonização do transporte de cargas possam ser cumpridas. A CEO global da empresa, Karin Rådström, afirmou que os fabricantes investiram em veículos movidos a baterias e a hidrogênio, enquanto governos não entregaram a infraestrutura e os incentivos previstos.
As leis da União Europeia determinam que 43% dos caminhões comercializados tenham emissão zero até 2030. A proporção deve chegar a 90% até 2040. A frota em circulação, porém, representa apenas 3% do total de caminhões do continente.
Infraestrutura e custo da energia
De acordo com a Daimler Truck, a Europa tem déficit de 35 mil carregadores para caminhões elétricos. Também faltam pontos de abastecimento de hidrogênio e políticas de incentivo à geração de energia, segundo Rådström.
A executiva resumiu a posição da fabricante: “Nós entregamos. A indústria fez sua parte, criou parcerias e fabricou os caminhões”. Ela também disse que a regulamentação precisa ser revista porque, na avaliação da empresa, os governos não cumpriram suas obrigações.
O custo da energia é outro obstáculo para os transportadores. Um litro de diesel custa, em média, € 2,40 nos países da União Europeia, enquanto um quilowatt de eletricidade parte de € 0,35. A comparação direta indica que o combustível fóssil é sete vezes mais caro, mas a análise da densidade energética muda o resultado.
Um litro de diesel armazena o equivalente a cerca de 10,7 kWh de energia térmica. Considerando essa medida, a eletricidade custa cerca de 1,5 vez mais por kWh útil do que a energia contida no diesel. O preço da eletricidade é influenciado, entre outros fatores, pelo gás que vem da Rússia e pelo conflito da Ucrânia. O diesel também sofre oscilações ligadas aos conflitos no Oriente Médio.
Diesel ganha nova plataforma
A Daimler Truck afirma que os veículos elétricos oferecidos pelas marcas já foram testados pelos clientes. Na Europa, a empresa informa ter 38% do mercado de caminhões elétricos, contra 19% no segmento de diesel.
Mesmo com a aposta em eletrificação e hidrogênio, a Mercedes-Benz lançou uma plataforma de caminhões a diesel chamada Powerliner. O trem de força usa os motores OM 470 e OM 471, com mudanças na taxa de compressão, na injeção de combustível, no turbo e na caixa de transmissão.
Segundo a empresa, a nova configuração reduz em 4% o consumo de diesel em comparação com a geração anterior. O motor de 13 litros também equipa os caminhões Mercedes-Benz Actros de 530 cavalos fabricados no Brasil.
Para Karin Rådström, o diesel pode contribuir para a descarbonização em locais como o Brasil, com o uso de biodiesel, mas não deve ser a solução para a Europa. No continente, a estratégia precisará combinar hidrogênio e eletricidade em veículos de emissão zero, acompanhada de uma revisão das regulações.


