A comunicação de Kevin Warsh deve concentrar a atenção dos investidores nesta quarta-feira, quando o Federal Reserve divulgar sua decisão sobre os juros e novas projeções econômicas. O banco central dos Estados Unidos deve elevar a taxa básica pela primeira vez desde 2023, mas a forma como o chair explicará o movimento poderá influenciar a avaliação dos mercados sobre os próximos passos.
A alta prevista é de 0,25 ponto percentual, levando os juros para a faixa de 3,75% a 4,00%. A inflação americana permanece acima da meta de 2% do Fed, enquanto os custos globais de empréstimos de longo prazo aumentaram. Esse cenário tornou o ajuste considerado quase inevitável.
Sinal sobre os próximos passos
A inflação está acima da meta há mais de cinco anos e subiu desde o início do atual mandato de Donald Trump na Casa Branca. O presidente havia dito que esperava uma redução dos juros ao nomear Warsh neste ano para comandar o Fed. Mais recentemente, ameaçou impor novas tarifas de importação caso o banco central não diminuísse o custo dos empréstimos.
Para Robert Sockin, economista-chefe para os Estados Unidos da PGIM, uma decisão unânime teria significado relevante, especialmente se as projeções indicarem outro aumento ainda neste ano e possivelmente mais um em 2027. “Se houver um aumento e for unânime — isso é um sinal forte”, afirmou.
Sockin prevê três aumentos nos Estados Unidos. Ele avaliou que o discurso feito por Warsh no simpósio econômico de Jackson Hole, no mês passado, trouxe uma formulação compatível com a possibilidade de novos ajustes caso a inflação não recue com rapidez suficiente. Na avaliação do economista, uma sinalização de que a alta seria apenas um ajuste pequeno poderia provocar reação negativa dos mercados.
O comunicado de política monetária será divulgado às 15h (horário de Brasília), junto com as projeções trimestrais atualizadas. O material incluirá as estimativas das autoridades para a taxa de juros adequada ao fim do ano.
As projeções divulgadas em junho mostraram divisão entre os integrantes do Fed: nove dos 19 membros esperavam uma alta de pelo menos 0,25 ponto percentual até o fim de 2026, enquanto outros nove consideravam possível a manutenção dos juros nos níveis atuais ou uma redução de 0,25 ponto. Warsh, que não gosta do gráfico de pontos, não apresentou uma projeção própria.



