NOVA YORK — O Federal Reserve (Fed) elevou os juros em 0,25 ponto porcentual nesta quarta-feira, 16, em uma decisão unânime que também indicou a possibilidade de uma nova alta ainda neste ano. As projeções macroeconômicas divulgadas pelo banco central americano reforçaram a preocupação com a inflação e apontaram para uma trajetória de juros mais elevada do que a esperada anteriormente.
A decisão ocorreu em um cenário de economia doméstica forte e de incertezas geopolíticas. Para os analistas do ING, o Fed aumentou a taxa em 25 pontos-base e sinalizou uma segunda alta antes de um período prolongado de manutenção até 2027. Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil, avaliou que a elevação, a primeira em três anos, provavelmente não será a última.
O comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) foi considerado mais firme do que o divulgado em julho. A avaliação é que o aumento dos juros levará a inflação à meta de forma mais rápida, sinalizando a urgência do comitê em cumprir seu mandato.
Projeções para juros e economia
O chamado gráfico de pontos indicou mais uma alta de 25 pontos-base ainda neste ano, em linha com o consenso dos analistas. As projeções para o Produto Interno Bruto (PIB) e a inflação foram revisadas para cima, enquanto a estimativa para o desemprego foi reduzida. A economista Andressa Durão, do ASA, afirmou que foi surpreendida pelas revisões.
A 4Intelligence identificou menor dispersão entre os diretores em relação ao cenário para a taxa básica. A consultoria e o Goldman Sachs apontaram que 12 diretores esperam mais uma alta neste ano. Para o fim de 2027, 8 diretores projetam uma taxa compatível com mais uma elevação seguida de manutenção.
A interpretação sobre o número total de altas, porém, não é consensual. O ING mantém uma avaliação mais otimista para a inflação. Já a Stifel considera que os aumentos de preços de dois dígitos em quase todas as principais categorias de despesas nos últimos cinco anos, somados à alta recente da energia, exigiriam mais de duas elevações para assegurar a meta de 2%.
Stephen Brown, economista-chefe para a América do Norte da Capital Economics, afirmou que os dirigentes subestimam o potencial de queda do desemprego. Por isso, a instituição projeta um terceiro aumento em 2027.
Economia americana e próximos passos
Em entrevista coletiva, o presidente do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a inflação permanece muito alta há muito tempo e destacou a força da economia americana mesmo diante da crise geopolítica. Segundo ele, os integrantes do Fomc demonstraram uma visão otimista para a atividade e veem potencial para um desempenho ainda melhor.
Warsh também disse que seria difícil classificar as condições financeiras amplas como restritivas. O presidente do Fed afirmou que o banco central acompanha a dispersão da inflação e trabalha para manter as expectativas do mercado ancoradas. Também mencionou o risco de que alterações nos preços provocadas pela guerra no Oriente Médio se espalhem pela economia.
A alta dos juros era amplamente esperada pelo mercado financeiro. Nos dias anteriores, os juros dos Treasuries indicavam uma chance inequívoca de aumento. O rendimento da T-Note de 10 anos voltou a superar 5% e alcançou o maior nível desde 2007.
O que surpreendeu foi a unanimidade: o placar de 12 a 0 contrariou as previsões de um ou dois votos dissidentes. Christopher Waller era considerado um possível dissidente por demonstrar simpatia ao processo de desaceleração da inflação.
A ata da reunião será divulgada no dia 7 de outubro. A próxima reunião do Fomc está marcada para 27 e 28 de outubro.



