Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Brasil precisa reduzir dependência de insumos e ampliar destinos das exportações agrícolas

Estudo do Rabobank aponta concentração das vendas externas e dependência de fertilizantes, defensivos e diesel importados.

Brasil precisa reduzir dependência de insumos e ampliar destinos das exportações agrícolas

O Brasil enfrenta dois desafios para sustentar o crescimento das exportações agrícolas: reduzir a dependência de insumos importados e ampliar a variedade de mercados e produtos vendidos ao exterior. A avaliação é do Rabobank, que destaca a força do país na exportação de soja, café, proteínas animais e açúcar.

A China é o principal destino individual dos alimentos e produtos agrícolas brasileiros, com cerca de 33% do valor total exportado. União Europeia e Estados Unidos respondem juntos por 54%. A concentração também aparece entre as commodities: a China está entre os três principais destinos de 9 das 10 analisadas. Em 6 dessas 10, os três maiores compradores representam mais de 50% das exportações brasileiras.

Dependência do mercado chinês

O Rabobank avalia que a relação comercial com a China continuará relevante no curto prazo. Na última década, o país liderou o crescimento do consumo mundial de soja e carne bovina, e o aumento de suas importações dessas commodities foi superior ao crescimento combinado dos demais 10 maiores importadores.

Em 2025, a China importou 1,7 milhão de toneladas de carne bovina brasileira, o equivalente a 48% das exportações totais do Brasil. Para 2026, a cota chinesa de 1,1 milhão de toneladas pressiona os exportadores a buscar outros destinos para um volume equivalente a 17% das exportações de 2025.

O estudo afirma que o aprofundamento do diálogo com parceiros estratégicos pode melhorar a preparação do agronegócio diante de mudanças nas políticas agrícolas e comerciais. No longo prazo, a expansão da demanda em regiões como África, Oriente Médio e Sudeste Asiático pode favorecer a diversificação, enquanto as populações da China e da União Europeia devem diminuir.

A diversificação de produtos é outra possibilidade. As exportações brasileiras de grãos secos de destilaria, um coproduto do etanol de milho, eram quase inexistentes há uma década. Desde 2023, esses produtos obtiveram acesso a 21 destinos internacionais, em um mercado historicamente dominado pelos Estados Unidos.

Insumos importados

O crescimento da produção agrícola tornou o Brasil mais dependente de fertilizantes e defensivos importados. Cerca de 80% desses produtos usados no país vêm do exterior. As importações também representam de 25% a 30% do consumo brasileiro de diesel, enquanto a expansão da capacidade local de refino ficou abaixo da demanda.

Para o Rabobank, a maior fragmentação do ambiente geopolítico aumenta a vulnerabilidade associada a esses insumos. O banco cita os choques de preços e as preocupações com a oferta de combustíveis e fertilizantes em 2026, relacionados ao conflito no Oriente Médio envolvendo EUA, Israel e Irã, como uma repetição das repercussões da invasão da Ucrânia pela Rússia nesses mercados quatro anos antes.

O relatório considera essenciais os investimentos em refino local de petróleo e na produção doméstica de fertilizantes. Também afirma que o peso do Brasil no fornecimento de commodities-chave oferece algum poder de barganha, especialmente em situações em que a redução das importações brasileiras poderia afetar consumidores dos países compradores.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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