O grupo Globo anunciou nesta sexta-feira, 4, uma reorganização de sua estrutura e a saída de três executivos do alto escalão: Manuel Belmar, Manuel Falcão e Pedro Garcia. Belmar era diretor de produtos digitais, finanças, jurídico e infraestrutura; Falcão comandava marca e comunicação; e Garcia era responsável pela aquisição de direitos.
A empresa informou que a mudança pretende integrar áreas, ampliar a atuação digital e tornar a operação mais ágil. Belmar permanecerá na Globo até o 1º trimestre de 2027. Segundo a companhia, ele havia compartilhado há pelo menos dois anos a decisão de encerrar sua trajetória executiva.
Direitos da Copa e desempenho do streaming
As mudanças ocorrem em meio à negociação dos direitos de transmissão da Copa do Mundo de 2026 e à desaceleração dos negócios de streaming e TV paga. A Globo decidiu não adquirir o pacote integral do Mundial e ficou com metade dos jogos para exibição na TV aberta e por assinatura.
No ambiente digital, a CazéTV comprou os direitos dos 100 jogos e depois renegociou a distribuição das transmissões com Disney+, Prime Video e YouTube. A Globo também transferiu direitos para a NSports e o SBT. A emissora montou uma equipe que incluiu Galvão Bueno e Tiago Leifert.
Na Copa de 2022, a Globo alcançou 98% do público dos jogos pela TV aberta e 22% pela TV fechada, com o SporTV, segundo o Ibope. Neste ano, os índices foram de 82% na televisão aberta e 15% na fechada. A CazéTV, que não tinha participação nos números anteriores, chegou a 44% e empatou com o SBT, à frente de SporTV, GE TV e N Sports.
A relação entre Globo e Fifa havia se desgastado em 2021, quando a empresa tentou renegociar os contratos de 2022 e 2026 para reduzir os pagamentos pelos direitos. A Globo deve tentar recuperar a totalidade dos direitos de TV aberta em 2030, enquanto a Fifa planeja uma nova concorrência para as diferentes modalidades de transmissão.
Outro fator associado à reorganização é a estagnação do Globoplay, que também estava sob gestão de Belmar. Embora a plataforma tenha registrado seu primeiro lucro em 2025, sua participação na receita do grupo diminuiu, assim como a venda de assinaturas diretas ao consumidor nos últimos dois anos.
Novas áreas e mudança no comando
Em comunicados, a cúpula da Globo contestou a avaliação de que os executivos tenham sido dispensados por desempenho ruim. João Roberto Marinho, presidente do Grupo Globo e do conselho de administração, afirmou que Belmar havia decidido encerrar sua jornada executiva. “Sua decisão deu início a um processo cuidadoso de transição”, disse Marinho, ao destacar a parceria de mais de duas décadas entre o executivo e a empresa.
Paulo Marinho, diretor-presidente, afirmou em comunicado interno que repudia “as especulações com veemência”. Ele também disse que a decisão sobre a renegociação dos direitos do Mundial foi tomada exclusivamente pelo conselho de administração.
A Globo informou que Falcão e Garcia deixaram a empresa em outro contexto e negou especulações sobre os motivos das duas saídas. Com a reorganização, Amauri Soares, que acumulava a direção da TV Globo e dos Estúdios Globo desde 2023, passará a responder por uma estrutura unificada.
A mudança reverte uma decisão anunciada por Soares em julho de 2025, quando Leonora Bardini, responsável pela programação da TV Globo, foi indicada para sucedê-lo na direção do canal. A empresa também criou a área integrada de consumidor, marketing e marca, que será ocupada interinamente por Cristovam Ferrara, diretor de valor social, até a escolha de um novo executivo.
Outra alteração foi a criação da gestão de direitos, que reunirá distribuição e direitos sob o comando de Fernando Ramos, no lugar de Garcia. Júlia Rueff assumirá a liderança de plataformas digitais, incorporando parte das atribuições de Belmar. Relações institucionais, jurídico e compliance passarão para a holding do Grupo Globo.



