Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Economia

GSI mira agroindústrias para reduzir impacto da retração no campo

Empresa prevê queda de um dígito nas vendas e amplia participação de projetos para biocombustíveis, carnes, cerealistas e cooperativas.

GSI mira agroindústrias para reduzir impacto da retração no campo

A GSI, fabricante de equipamentos para armazenagem, espera reduzir os efeitos da menor disposição dos produtores rurais para investir ao ampliar as vendas para agroindústrias. A estratégia inclui projetos para fabricantes de biocombustíveis e de carnes, além de cerealistas e cooperativas.

A empresa prevê queda de um dígito nas vendas neste ano, em uma intensidade inferior à média do mercado. Ricardo Marozzin, presidente da Grain & Protein Technologies (GPT) América do Sul, controladora da marca GSI, afirmou que a companhia terá uma “ligeira retração” no Brasil. A empresa está entre as três maiores do setor de armazenagem no país e, segundo o executivo, ocupa a liderança global.

Demanda mais concentrada em projetos de maior escala

A GSI divide suas operações entre as áreas Fazendas e Contas Comerciais. Esta última reúne projetos de maior porte, incluindo os destinados às agroindústrias, e passou a responder por mais de 50% do faturamento neste ano. Antes, representava em torno de 20%.

Marozzin afirmou que a cautela dos investidores está relacionada à avaliação dos riscos climáticos e do El Niño. A empresa não divulgou os números do ano atual, mas o executivo disse que o desempenho tem sido superior ao observado no mercado de máquinas e implementos agrícolas.

A modernização de armazéns já instalados também contribui para os resultados. Outro movimento identificado pela GSI é a ampliação da capacidade por produtores que já possuem estruturas próprias. Um exemplo citado pelo executivo é o de uma propriedade que passa de 100 mil sacas de capacidade para 150 mil ou 200 mil sacas.

Segundo Marozzin, produtores que já conhecem os benefícios da armazenagem na fazenda continuam investindo, enquanto novos projetos ficaram mais escassos.

Déficit de armazenagem permanece

Paulo Bertolini, vice-presidente da Câmara Setorial de Equipamentos para Armazenagem de Grãos da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), informou que o faturamento do setor no Brasil recuou 30% no primeiro semestre. A entidade ainda não projetou o desempenho para 2026, mas registrou redução dos negócios principalmente com as fazendas, em meio à crise de crédito no agronegócio.

Parte dos projetos está parada porque produtores aguardam as eleições. Bertolini estimou que os investimentos em armazenagem no Brasil ficaram entre R$ 7 bilhões e R$ 10 bilhões em 2025. O valor ainda não é suficiente, segundo a Abimaq, para eliminar o déficit existente.

A produção de grãos cresce, em média, 12 milhões de toneladas por ano, enquanto a capacidade estática de armazenagem aumenta somente metade desse volume. Com isso, o déficit se amplia em cerca de 5 milhões a 6 milhões de toneladas anualmente e está estimado em aproximadamente 135 milhões de toneladas.

Expansão orgânica e possíveis aquisições

A GSI mantém como principal plano o crescimento orgânico, com investimentos internos. Marozzin não descartou fusões e aquisições. A GPT negociou neste ano uma proposta de fusão com a Kepler Weber, mas o prazo para concluir a operação terminou, mesmo após a aprovação da minuta pelo conselho de administração da empresa.

O executivo disse que possíveis transações continuam como uma agenda paralela. O Brasil seria o principal foco caso surjam oportunidades, por concentrar a maior parte do mercado de sistemas de pós-colheita na América do Sul.

Na América Latina, Marozzin também citou a Argentina, onde vê aumento das oportunidades depois de um período de menor investimento. O Paraguai, segundo ele, permanece estável e atrativo para recursos.

Para 2027, o executivo avalia que a demanda pode melhorar se houver recuperação dos preços das commodities agrícolas. Na visão dele, cotações mais altas podem recompor a margem dos produtores e favorecer a retomada dos investimentos.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.