Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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IA pode acelerar avanços em supercondutividade, antibióticos e fusão

Após uma solução para o problema de Navier-Stokes, três áreas aparecem entre as possíveis próximas grandes descobertas científicas da IA.

IA pode acelerar avanços em supercondutividade, antibióticos e fusão
Foto: Kirill Kudryavtsev/AFP

A inteligência artificial pode estar próxima de impulsionar avanços em três áreas com potencial de transformar a vida cotidiana: supercondutividade em condições ambientes, novos antibióticos e fusão nuclear comercial. O debate ganhou força depois do anúncio, na semana passada, de uma solução produzida por IA para o problema de Navier-Stokes, um dos problemas do milênio.

O desafio matemático foi resolvido em alguns poucos dias, depois de atravessar gerações de pesquisadores. No início deste ano, mercados de predição estimavam em menos de 40% a possibilidade de uma IA solucionar um dos problemas do milênio até 2030. O resultado, ainda em 2026, ampliou a discussão sobre quais descobertas podem vir a seguir.

Materiais, medicamentos e energia

Uma das possibilidades é encontrar um material supercondutor que funcione à temperatura e à pressão ambientes. Esse tipo de material permitiria transportar eletricidade sem as perdas provocadas pela resistência dos fios e sem a necessidade de refrigeração extrema. A IA poderia analisar um número gigantesco de combinações entre átomos e apontar opções para os pesquisadores testarem.

Cerca de 8-9% da eletricidade gerada no mundo é perdida durante a transmissão e a distribuição. Um material que apresentasse essas características e pudesse ser produzido em escala abriria caminho para redes elétricas com menos desperdício, motores mais eficientes e ressonâncias magnéticas mais acessíveis.

Outra frente é a criação de antibióticos contra bactérias Gram-negativas. Esses microrganismos têm uma membrana externa que dificulta a entrada de muitos medicamentos. O laboratório de James Collins, no MIT, já empregou IA para gerar e avaliar computacionalmente mais de 36 milhões de compostos. A análise encontrou candidatos com estruturas diferentes das presentes nos antibióticos conhecidos.

Um dos compostos afetou a formação da membrana e combateu, em camundongos, a gonorreia resistente. Ainda faltam testes que comprovem sua segurança e eficácia em pessoas.

A terceira possibilidade é a fusão nuclear comercial. A reação que alimenta as estrelas já pode ser reproduzida, mas ainda é necessário transformá-la em uma fonte capaz de gerar eletricidade continuamente e cobrir seus próprios custos. Entre os desafios está o controle de um plasma mais quente que o centro do Sol, área em que a IA teve resultados promissores em reatores experimentais.

A fusão poderia levar a uma energia abundante e com baixas emissões. O efeito alcançaria atividades como a produção de alimentos, o transporte de mercadorias e a dessalinização da água do mar.

As discussões também mostram um limite das previsões: as pessoas tendem a repetir os mesmos desejos, como supercondutividade, antibióticos, fusão e câncer. Em 1890, ninguém esperava os raios X, porque essa possibilidade ainda não era conhecida. As descobertas mais relevantes da IA podem surgir justamente fora das listas atuais.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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