Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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IBGE estima 2 milhões de trabalhadores em plataformas digitais no Brasil em 2025

Pesquisa mostra predominância de homens, jornada semanal maior e concentração de profissionais em aplicativos de transporte e entrega.

IBGE estima 2 milhões de trabalhadores em plataformas digitais no Brasil em 2025
Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Cerca de 2 milhões de pessoas trabalhavam em plataformas digitais de serviços no Brasil em 2025, o equivalente a 1,9% da população ocupada. O dado faz parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua: Trabalho por meio de plataformas digitais 2025, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira, 4.

O levantamento analisou aplicativos de transporte particular de passageiros, entrega de comida e produtos e prestação de serviços gerais ou profissionais. As plataformas eram o único ou principal trabalho para 1,8 milhão de pessoas, ou 92,1% do total. Outros 182 mil trabalhadores, equivalentes a 9,3%, usavam os aplicativos como atividade secundária. Para 28 mil pessoas, ou 1,5%, a plataforma era simultaneamente o trabalho principal e o secundário.

Em 2022, os aplicativos eram a principal fonte de trabalho para 1,3 milhão de pessoas, número que passou para 1,7 milhão em 2024. Na pesquisa de 2025, 38,8% dos trabalhadores atuavam exclusivamente por aplicativo e em apenas uma plataforma.

Perfil dos trabalhadores

Para analisar características sociodemográficas, renda e jornada, o IBGE considerou os trabalhadores que tinham as plataformas como ocupação única ou principal. Os homens representavam 84,4% desse grupo, enquanto as mulheres correspondiam a 15,6%.

A faixa de 25 a 39 anos reunia 47% dos trabalhadores. Pessoas com ensino médio completo ou superior incompleto formavam 62,5% do total, proporção superior aos 45,3% observados entre os trabalhadores não plataformizados.

Os trabalhadores por conta própria eram 86,8% do grupo. Os empregadores representavam 4,5%, e os empregados do setor privado, 8,1%. Entre estes últimos, 4,5% tinham carteira assinada e 3,5% não tinham.

A flexibilidade de horários e dias de trabalho foi o principal motivo declarado por quem tinha a plataforma como atividade principal, com 26,8%. Em seguida, apareceram a dificuldade de encontrar outro trabalho, com 24,6%, e a percepção de rendimento maior que o de outras opções, com 20,8%. A complementação da renda foi citada por 16,6%. Entre os que usavam os aplicativos como atividade secundária, 87,7% disseram buscar complementar a renda.

O Sudeste concentrava 55,3% dos trabalhadores de plataformas, com 1,083 milhão de pessoas. O Nordeste respondia por 19,7%; o Sul, por 11,7%; o Centro-Oeste, por 7,3%; e o Norte, por 6%.

Jornada e rendimento

A jornada média dos trabalhadores de plataformas chegou a 44,7 horas semanais em 2025, 5,4 horas acima da registrada entre os demais ocupados do setor privado, de 39,3 horas. Desde 2022, quando a média era de 46,4 horas, houve redução de 1,7 horas.

O rendimento médio ficou em R$ 3.147, praticamente igual ao dos trabalhadores do mercado tradicional, de R$ 3.148. Já o rendimento por hora foi de R$ 16,2 entre os trabalhadores de aplicativos, abaixo dos R$ 18,4 registrados nas demais ocupações.

“As plataformas têm oferecido oportunidades de geração de renda para muitos trabalhadores e permitido que as empresas alcancem novos mercados e reduzam custos”, afirmou Gustavo Geaquinto Fontes, analista do IBGE. Ele também destacou que a jornada dos trabalhadores de aplicativos permanecia maior, mesmo com a possibilidade de escolher onde e quando trabalhar.

Transporte e entregas concentram a maior parte

Os aplicativos de transporte particular de passageiros reuniam cerca de 1,155 milhão de trabalhadores, ou 58,9% do total. Sem considerar os táxis, eram 1,056 milhão de profissionais, equivalentes a 53,9%. Os aplicativos específicos de táxi empregavam 232 mil pessoas, ou 11,8%.

As plataformas de entrega de comida e produtos eram utilizadas por 585 mil pessoas, 29,9% do total. Somadas às plataformas de transporte, as duas categorias respondiam por 88,8% dos trabalhadores. No segmento de entregas, 376 mil pessoas exerciam diretamente a ocupação de entregador, enquanto as demais usavam os aplicativos para captar clientes para negócios próprios de comércio ou alimentação.

As plataformas de serviços gerais ou profissionais tinham a menor participação, com 313 mil trabalhadores, ou 16% do contingente.

A dificuldade de encontrar outro trabalho foi o principal motivo apontado por profissionais do transporte de passageiros, exceto táxi, com 33,4%, e por trabalhadores de aplicativos de entrega, com 26,9%.

A PNAD Contínua registrou 1,974 milhão de pessoas que declararam a condução de automóveis como atividade principal em 2025. O número cresceu 4,9% em relação a 2024 e 20,5% frente a 2022. Desse total, 45,9% estavam em plataformas, alta de 26% ante 2022.

Entre os condutores de motocicletas, o contingente estimado foi de 1,179 milhão de pessoas em 2025, aumento de 12,3% em relação a 2024 e de 22,6% frente a 2022. Os trabalhadores de aplicativos representavam 34,4% desse grupo, crescimento de 91,9% ante 2022.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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