Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Economia

Juros reais altos ampliam o desafio da produtividade no Brasil

Baixo investimento e custo elevado do capital formam um ciclo que limita a modernização e o crescimento potencial da economia.

Juros reais altos ampliam o desafio da produtividade no Brasil
Foto: Adobe Stock

A baixa produtividade e o custo elevado do capital se reforçam no Brasil. O país aparece na 72ª posição do Penn World Table, com cerca de US$ 20 por hora trabalhada, enquanto os Estados Unidos registram US$ 83, o Chile, US$ 32, e o México, US$ 27, em valores ajustados pelo poder de compra.

Entre 1995 e 2025, a produtividade agregada da hora trabalhada avançou somente 0,8% ao ano, de acordo com Silvia Matos, do FGV-Ibre. A agropecuária foi uma exceção, com expansão de 6,1% ao ano. O desempenho esteve associado à correção dos solos do Cerrado, ao melhoramento genético e ao uso de equipamentos de alta tecnologia.

Investimento e custo do capital

O Brasil investe menos de 17% do PIB em Formação Bruta de Capital Fixo, percentual inferior ao de México, Chile e Coreia do Sul. O volume, porém, não é o único fator relevante: também pesam a qualidade dos investimentos, a tecnologia incorporada e a forma como os recursos são direcionados.

O nível dos juros influencia essa decisão. Com juro real de 9,3% ao ano em agosto, o Brasil ocupava a primeira posição em um ranking de 40 países elaborado pela MoneYou e pela Lev Intelligence. Esse custo aumenta o retorno mínimo exigido para os projetos e pode tornar aplicações financeiras de menor risco mais atraentes que o investimento produtivo.

A relação também funciona no sentido inverso. Um crescimento potencial reduzido, dificuldades fiscais e um prêmio de risco maior pressionam os juros reais. O resultado é um ciclo em que o investimento limitado restringe o capital por trabalhador, a produtividade avança pouco e o crescimento potencial permanece baixo, mantendo elevado o custo do capital.

A saída não depende de uma redução determinada por decreto. O rompimento desse ciclo exige melhora do resultado fiscal e da trajetória da dívida, recuperação da credibilidade, expectativas ancoradas e aumento da poupança pública.

Também está em debate se a meta de inflação de 3% é ambiciosa demais para uma economia com alto endividamento, histórico inflacionário e forte indexação. Caso a busca por essa meta exija juros reais muito altos, o efeito sobre o investimento e o crescimento potencial tende a integrar o próprio problema. Educação, infraestrutura e reformas microeconômicas continuam necessárias, mas o custo do capital também faz parte da explicação para o baixo crescimento.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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