A taxa média cobrada de pessoas físicas no crédito rotativo do cartão chegou a 449,4% ao ano em agosto, informou o Banco Central. O percentual permanece entre os mais altos do sistema financeiro, mesmo após uma regra que limita os encargos dessa modalidade e do parcelamento da fatura.
As concessões do rotativo alcançaram R$ 311 bilhões entre janeiro e agosto. No mesmo período de 2025, haviam somado R$ 266 bilhões. O resultado acumulado neste ano se aproxima dos R$ 403 bilhões registrados durante todo o ano passado.
Como funciona o rotativo
O crédito é usado quando o consumidor não paga integralmente a fatura até o vencimento e financia o saldo restante. Dados do Banco Central indicavam, no início do ano, cerca de 40 milhões de clientes com dívidas nessa modalidade.
A taxa média anualizada havia chegado a 435,9% ao ano em fevereiro. Desde 2024, os juros e encargos cobrados no rotativo e no parcelamento não podem ultrapassar o valor original da dívida. Na prática, o consumidor pode pagar, no máximo, o dobro do saldo inicial.
Discussão sobre limite de cartões
Na quinta-feira, 1º, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, afirmou que o governo conversa com o Banco Central sobre uma forma de limitar a quantidade de cartões por pessoa. Ele também criticou o custo do crédito oferecido aos consumidores.
“Quanto é que o povo paga? É 493%, 500% no cartão de crédito”, disse Lula em entrevista ao Flow Podcast. Na mesma declaração, afirmou que os bancos distribuem cartões sem saber se o consumidor quer recebê-los e classificou os juros como um “crime”.



