Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Mercado de IA combina investimentos recordes, prejuízos e expectativa de ganhos futuros

Custos elevados, concorrência e projeções de receita alimentam o debate sobre uma possível bolha da inteligência artificial.

Mercado de IA combina investimentos recordes, prejuízos e expectativa de ganhos futuros
Foto: Lucas Agrela/Estadão

O mercado de inteligência artificial combina expansão acelerada, investimentos bilionários e empresas que ainda operam com prejuízos elevados. Esse cenário alimenta o debate sobre a existência de uma bolha no setor, especialmente diante da diferença entre o custo de operação dos modelos e o valor cobrado dos usuários.

Um levantamento da consultoria SemiAnalysis, especializada em semicondutores, estimou que o custo para oferecer o Claude e o ChatGPT aos consumidores poderia chegar ao equivalente a US$ 8 mil e US$ 14 mil, respectivamente. Os planos individuais mais caros, porém, são vendidos a US$ 200 por mês. Os testes, divulgados ao fim de junho, esgotaram as cotas de uso disponíveis nas assinaturas e indicaram o nível de subsídio dado pelas empresas para estimular a adoção das ferramentas.

A estratégia ocorre ao mesmo tempo em que as companhias ampliam gastos com infraestrutura e modernização. A OpenAI tem receitas de assinaturas para consumidores e de contratos com empresas, mas registrou receita de US$ 13,07 bilhões e prejuízo líquido de US$ 38,53 bilhões em 2025. O mercado não espera que a companhia se torne lucrativa antes de 2030.

Comparação com a bolha das pontocom

Alex Dias, ex-CEO do Google no Brasil e CEO da São Pedro Capital, considera que o entusiasmo atual é diferente do observado na bolha das pontocom, no início dos anos 2000. Segundo ele, hoje há companhias grandes, consolidadas e lucrativas, como Amazon e Alphabet, empresa dona do Google.

Dias também destacou o aumento dos investimentos dos grandes grupos de tecnologia em data centers. As projeções, que ficavam entre US$ 150 bilhões e US$ 200 bilhões por ano três anos atrás, alcançam US$ 700 bilhões neste ano e podem chegar a US$ 1 trilhão no ano que vem. Para ele, o movimento cria oportunidades, mas também desequilíbrios e riscos, porque parte dos modelos de negócio ainda precisa ser desenvolvida.

A São Pedro Capital pretende analisar oportunidades relacionadas à esperada abertura de capital de empresas como OpenAI e Anthropic, dona do Claude. Dias afirmou, porém, que a empresa mantém critérios rigorosos para avaliar o preço dos negócios e, por isso, ficou fora da abertura de capital da SpaceX, de Elon Musk.

Publicidade e comércio por agentes

A busca por novas receitas também aparece na discussão sobre anúncios. Uma avaliação citada no debate considera que, mesmo com a duplicação da receita publicitária no ano seguinte, a relação entre preço e vendas poderia chegar a 500 vezes. Moura avalia que OpenAI e Anthropic já têm maturidade para abrir capital, embora os preços possam ser elevados. “O IPO vai vir com valores absurdos com certeza”, afirmou.

Outra frente é o comércio realizado por agentes de IA, que escolhem produtos e fazem compras em nome dos usuários. Silvestre avalia que esse modelo precisa de regras claras para evitar conflitos entre a recomendação mais adequada ao consumidor e a remuneração paga por comerciantes. “Uma comissão embutida no próprio checkout pode criar incentivo direto para o agente recomendar quem paga mais”, disse.

Concorrência e circularidade das receitas

A Nvidia também está no centro das discussões. A empresa fabrica chips usados em data centers que processam demandas de IA e investe em companhias do setor. Essas empresas recebem capital de investidores e usam parte dos recursos para comprar os chips, formando um circuito que pode ampliar artificialmente a percepção de crescimento do ecossistema.

Analistas do Morgan Stanley, da RBC Global e da Morningstar chamaram atenção para essa prática. Embora ela seja considerada legítima, pode influenciar a avaliação do ritmo de expansão das empresas.

O setor ainda enfrenta a concorrência de modelos de linguagem chineses abertos, que podem ser utilizados por empresas por uma fração do custo das soluções proprietárias. Também há preocupação com a perda de controle da tecnologia, tema que voltou ao debate após denúncias de um ex-funcionário da Anthropic.

Uso crescente sustenta expectativas

A valorização das empresas também é impulsionada pela expectativa de que ferramentas como Claude e OpenAI se tornem a principal interface de acesso à internet. Dados da consultoria SensorTower indicam que o ChatGPT foi o aplicativo a atingir mais rapidamente 1 bilhão de usuários ativos por mês, em três anos e meio desde o lançamento.

O uso de aplicativos de IA generativa somou uma estimativa de 36 bilhões de horas no primeiro semestre de 2026, mais que o dobro das 17,2 bilhões de horas registradas no mesmo período do ano anterior. O ChatGPT liderou com 215 minutos mensais por usuário, seguido por Claude, com 120 minutos, e Gemini, com 100 minutos.

O crescimento da utilização reforça a aposta em ganhos futuros, mas os custos atuais, a concorrência e a ausência de lucratividade em parte das empresas mantêm aberta a discussão sobre os limites da valorização do setor.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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