Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Modelos de empresas de alimentos subestimam riscos climáticos, aponta estudo

Relatório afirma que ferramentas usadas pelo setor deixam de considerar eventos extremos capazes de afetar a produção agrícola e o abastecimento.

Modelos de empresas de alimentos subestimam riscos climáticos, aponta estudo

Ferramentas usadas por empresas de alimentos para avaliar os efeitos das mudanças climáticas sobre a produção agrícola consideram apenas parte dos riscos que podem afetar as cadeias de abastecimento. A conclusão está em um estudo da Food and Land Use Coalition (FOLU), elaborado com a Systemiq e o World Business Council for Sustainable Development (WBCSD).

A análise se concentrou nos principais modelos empregados pelo setor, com atenção a culturas oleaginosas, como a soja. Incêndios florestais, tempestades, ciclones, tornados, pragas e doenças aparecem entre os eventos pouco ou nada contemplados. Secas e ondas de calor são consideradas apenas parcialmente, enquanto degradação do solo, granizo, inundação costeira, redução da qualidade da água e elevação do nível do mar ficam fora dos modelos avaliados.

O relatório também identifica uma limitação na forma como os eventos são projetados. Em geral, as ferramentas presumem que os impactos climáticos ocorrem de maneira isolada. A avaliação da FOLU é que diferentes regiões podem ser atingidas simultaneamente, reduzindo as alternativas para a troca de fornecedores ou a substituição de uma cultura após uma quebra de produção.

No Brasil, o estudo relaciona a redução de mais da metade da produção de soja no Rio Grande do Sul à seca de 2021/22. O relatório também menciona os incêndios registrados em 2024 e uma estimativa do Estado de Goiás segundo a qual as perdas de produção chegaram a R$ 181,71 milhões.

Investimentos em resiliência

A falta de dados abrangentes influencia as decisões de investimento. Segundo a FOLU, as empresas enfrentam dificuldades para justificar gastos antecipados com solos mais saudáveis, sistemas de água e métodos agrícolas mais resilientes. Sem uma mensuração adequada, essas medidas podem ser tratadas como despesas opcionais de sustentabilidade, e não como proteção contra perdas futuras.

O levantamento cita fornecedores que receberam apoio para adotar práticas regenerativas e conseguiram manter a produção durante uma seca na Espanha, em 2022. Concorrentes, porém, não conseguiram obter o produto. O estudo afirma que o retorno econômico foi direto, mas não poderia ser antecipado pelas ferramentas atuais de risco e retorno.

A diretora de Conhecimento Global e Engajamento da FOLU, Elinor Newman-Beckett, afirma que “incêndios estão se alastrando, rios estão secando e colheitas estão falhando”. Ela estima em US$ 630 bilhões por ano a capacidade de recursos que o setor privado poderia fornecer aos sistemas alimentares. Atualmente, cerca de US$ 19 bilhões são destinados a investimentos em resiliência ao clima, enquanto a necessidade anual é estimada em US$ 1,1 trilhão.

A próxima análise será dedicada ao corredor de soja Brasil-China, com lançamento previsto para janeiro de 2027. O relatório deverá estimar parcialmente as perdas evitáveis e o retorno de investimentos em resiliência, além de avaliar quem está mais bem posicionado para investir e como os retornos podem ser compartilhados.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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