O Nubank está em negociações preliminares para comprar o banco digital britânico Monzo por até 10 bilhões de libras, valor equivalente a cerca de R$ 70 bilhões. A operação poderá ser concluída com uma combinação de dinheiro e ações e faz parte da estratégia de expansão internacional da instituição brasileira.
O Nubank não comentou a possível aquisição. Em nota, afirmou: “Reafirmamos nosso compromisso em manter uma comunicação transparente, clara e ágil sobre qualquer assunto relevante para os nossos negócios”.
O Monzo contratou o Morgan Stanley, a Qatalyst e o escritório Slaughter & May para assessorá-lo nas negociações. Fundado em 2015, o banco oferece contas para pessoas físicas e jurídicas, cartões de crédito e seguro digital.
A instituição britânica tem 16 milhões de clientes, dos quais 15 milhões são pessoas físicas e 1 milhão são pequenas e médias empresas. Em 2025, registrou receita de £ 1,7 bilhão, alta de 39% em um ano, e lucro antes de impostos de £ 172,6 milhões. O banco fechou a operação nos EUA após uma recente mudança de comando.
Riscos e estratégia
Em relatório divulgado nesta segunda, 28, o Citi avaliou que o tamanho da operação — equivalente a cerca de 16% a 20% do valor de mercado do Nubank, estimado em US$ 65 bilhões — pode exigir financiamento com dinheiro e ações. Nesse cenário, haveria risco de diluição dos acionistas e pressão sobre a disciplina de alocação de capital da companhia.
Para os analistas Gustavo Schroden, Brian Flores e Arnon Shirazi, a compra traria diversificação em um mercado desenvolvido e reduziria a exposição do Nubank a moedas emergentes, como o real, o peso mexicano e o peso colombiano. A aquisição também poderia ampliar a captação em libra esterlina e permitir a aplicação da tecnologia de concessão de crédito do Nubank na base de clientes do Monzo no Reino Unido.
O Citi, porém, apontou risco elevado de execução. A integração de operações bancárias em diferentes regimes macroeconômicos poderia aumentar o escrutínio regulatório no Reino Unido, além de exigir segregação de capital, mais gastos de compliance e supervisão multinacional complexa.
A expansão internacional do Nubank é liderada pela cofundadora Cristina Junqueira. O movimento ocorre após a nomeação de Roberto Campos Neto como vice-chairman, de Robert Livingston como executivo e de Eric Young como diretor de tecnologia. O preço implícito da operação colocaria o Monzo entre 4,7 e 5,9 vezes a receita e representaria um prêmio de cerca de 100% sobre uma avaliação de transação secundária no fim de 2024. O Citi mantém recomendação neutra para o Nubank, com preço-alvo de US$ 14,50 e potencial de alta de 6,7%.



