Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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PF descreve articulação entre Banco Master e BRB para superar falhas em operações

Relatório aponta que mensagens indicam parceria entre Daniel Vorcaro e Paulo Henrique Costa e fraude estimada em R$ 17 bilhões.

PF descreve articulação entre Banco Master e BRB para superar falhas em operações
Foto: Banco Master/Divulgação e Lúcio Bernardo Jr./Agência Bra

A Polícia Federal identificou mensagens que, segundo o relatório da investigação, indicam uma relação entre Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), que teria ido além da negociação de carteiras de crédito. A apuração estima a fraude em aproximadamente R$ 17 bilhões.

Os diálogos integram os documentos do Caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O sigilo foi levantado nesta sexta-feira, 11, pelo ministro André Mendonça, relator do caso, a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte. A defesa de Vorcaro informou que não vai se manifestar. Os dois estão presos.

Problemas nas carteiras

Ainda em 2024, equipes do BRB apontaram problemas em carteiras de crédito consignado transferidas pelo Banco Master. Diante disso, Vorcaro pediu ajuda para concluir uma operação rapidamente e mencionou carteiras do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Paulo Henrique, porém, alertou para a inadimplência elevada de parte dos papéis e questionou a taxa de originação, custo associado aos contratos. Nas conversas, Vorcaro perguntou como a operação poderia ser vantajosa para o BRB. O então presidente do banco sugeriu manter as demais taxas para reduzir a necessidade de explicações dentro da instituição.

A PF afirma que Vorcaro teria aceitado absorver o prejuízo inicial. Paulo Henrique também propôs compensar eventuais perdas em operações futuras. Para os investigadores, isso significaria ajustar outros negócios para compensar perdas provocadas pela redução das taxas necessária à compra dos ativos pelo BRB.

Em 31 de agosto de 2024, Vorcaro reclamou de atrasos do BRB. Paulo Henrique explicou o perfil de alto risco dos papéis. A troca terminou com declarações de parceria entre os dois. Na avaliação da PF, os termos usados indicam um vínculo associado a projetos comuns, incluindo a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB.

Negociações antes da compra

Em 11 de março de 2025, 17 dias antes do anúncio da compra do Master pelo BRB, os dois trataram da aquisição de imóveis e da continuidade das negociações. Paulo Henrique disse que permanecia disponível, mas ressaltou a necessidade de documentação.

Vorcaro, por outro lado, teria pressionado pela realização da operação mesmo com pendências documentais. A PF interpreta as mensagens como uma tentativa de persuadir o então presidente do BRB a avançar antes da correção das falhas.

O BRB anunciou a compra do Master em 18 de abril. Depois do anúncio, Paulo Henrique disse que queria visitar o banco em São Paulo. Vorcaro respondeu: “Sinta como se fosse seu o banco”. Em seguida, Paulo Henrique afirmou que a instituição continuaria pertencendo ao dono do Master.

A investigação também aponta que Paulo Henrique é acusado de receber propina de R$ 146 milhões em imóveis. O BRB comprou créditos considerados problemáticos do Master e tentou adquirir o banco de Vorcaro.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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