Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Economia

PF descreve esquema de créditos fictícios e propina no caso Master-BRB

Investigações apontam uso da Tirreno, documentos falsos e pagamentos de R$ 146,5 milhões ao ex-presidente do BRB.

PF descreve esquema de créditos fictícios e propina no caso Master-BRB

A Polícia Federal identificou uma estrutura que usava a empresa Tirreno para dar aparência de validade a créditos negociados entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB). A apuração aponta que a operação envolveu documentos falsos, manipulação de registros internos e carteiras de crédito sem lastro suficiente.

As transações consideradas fictícias ou sem consistência material chegaram a cerca de R$ 17 bilhões, conforme os arquivos do caso cujo sigilo foi derrubado pelo ministro André Mendonça, relator no Supremo Tribunal Federal (STF). A PF também calculou em R$ 20 bilhões as transferências do BRB para operações incompatíveis com a solidez exigida do banco.

O mecanismo investigado funcionava com a circulação de créditos pela Tirreno. A empresa repassava ativos ao Master, que depois os vendia ao BRB. De acordo com a polícia, a estrutura buscava criar lastro para negócios de grande volume, já que o Master não teria histórico nem capacidade operacional para produzir a quantidade de crédito consignado envolvida.

A PF afirma que as compras eram aprovadas pela diretoria do BRB em um processo frequentemente acelerado, apesar de pareceres jurídicos que indicavam a necessidade de consulta ao Conselho de Administração. Mesmo com alertas técnicos, problemas de lastro e restrições a auditorias, o banco teria mantido as aquisições e flexibilizado controles internos.

A investigação também apontou o uso de ferramentas tecnológicas para criar, em lote, Cédulas de Crédito Bancário a partir de CPFs retirados de bases antigas. Em alguns casos, foram inseridas cláusulas que simulavam autorização dos clientes para a contratação de empréstimos em seus nomes, sem procuração assinada pelos titulares.

Foram produzidas automaticamente 2,7 mil procurações. Desse conjunto, provavelmente 1.785 foram encaminhadas ao BRB para sustentar créditos atribuídos à Tirreno.

Pagamentos e situação dos bancos

Segundo a PF, Daniel Vorcaro teria pago R$ 146,5 milhões a Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB. O repasse teria sido realizado por meio da compra de imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília. A polícia classificou a conduta atribuída ao ex-dirigente como prática de corrupção explícita.

O Master passou a enfrentar dificuldades de liquidez mais graves a partir de 2024 e, para obter recursos, ampliou a venda de carteiras ao BRB. Em 2025, o banco estatal do Distrito Federal tentou comprar o Master, mas a operação foi rejeitada pelo Banco Central. Depois, o banco de Vorcaro foi liquidado, enquanto o BRB ficou com um prejuízo bilionário ainda não totalmente calculado nem coberto.

Vorcaro e Paulo Henrique Costa estão presos. A defesa de Vorcaro não se manifestou, e os advogados de Costa não foram localizados.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.