RIO DE JANEIRO — O Rock in Rio passou a incluir, pela primeira vez, as emissões geradas pelo deslocamento de fãs, fornecedores e funcionários entre as ações de descarbonização do festival. A estratégia é realizada em parceria com a Axia Energia e considera o trajeto desde a saída de casa até o retorno dos participantes.
Até a edição de 2024, o evento contabilizava e compensava as emissões próprias, sem incluir o transporte externo do público. A estimativa da organização para a edição atual é compensar aproximadamente 50 mil toneladas de dióxido de carbono (CO₂). O volume foi calculado com base na edição mais recente do festival e corresponde, segundo os cálculos internos, à retirada de 18.826 carros movidos a combustível fóssil de circulação por ano no Brasil.
Roberta Medina, vice-presidente da Rock World, afirmou que o compromisso com a redução e a compensação das emissões começou em 2006. “Somos carbono neutro há duas décadas e queremos fazer sempre melhor”, disse. A executiva também afirmou que a parceria amplia o trabalho ao incorporar as emissões relacionadas à mobilidade do público.
Créditos, energia renovável e reflorestamento
A compensação considera os sete dias de evento — 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 — e combina créditos de carbono, energia renovável certificada e ações de reflorestamento.
A maior parcela, estimada em 43.672 toneladas de CO₂, será compensada por créditos vinculados à geração de energia renovável da Usina Hidrelétrica Teles Pires, localizada entre o Pará e Mato Grosso.
Para neutralizar o consumo de eletricidade, a Axia Energia pretende emitir cerca de 4 mil Certificados de Energia Renovável (RECFY), equivalentes a 4 mil MWh. Segundo a empresa, os certificados atestam a origem renovável da energia consumida e registram seus atributos ambientais por meio de tecnologia blockchain.
Outras 6.328 toneladas de CO₂ serão compensadas com a doação de 15 mil mudas e 1 milhão de sementes de espécies nativas brasileiras. O material será destinado a programas de reflorestamento do Rock in Rio Brasil e tem origem na Ilha de Germoplasma, área associada a ações previstas no licenciamento ambiental da Usina Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.
Leandra Peres, diretora de comunicação da Axia Energia, afirmou que os ativos renováveis da empresa já haviam sido testados em outros eventos. Ela disse que a parceria também permite demonstrar os efeitos das fontes renováveis, como a preservação de florestas e nascentes e a redução da pegada de carbono.
Coleta de dados durante o festival
A metodologia prevê a participação do público no levantamento das informações de mobilidade. Uma equipe de apoio aplicará questionários durante o evento para calcular parte das emissões relacionadas aos deslocamentos. Os dados serão consolidados depois do encerramento do festival.
A compensação de 50 mil toneladas já está prevista na parceria, mesmo que a medição final indique um volume menor. Caso as emissões ultrapassem a estimativa, a Axia Energia informou que fará os ajustes necessários para completar a compensação.
A organização afirma que a ampliação da compensação não substitui as medidas para reduzir a geração de emissões. Entre as ações mencionadas estão a gestão de resíduos, a diminuição do uso de combustíveis fósseis em geradores, a adoção de tecnologias mais limpas e o monitoramento do consumo de água.



