O Conselho Deliberativo do São Paulo aprovou a expulsão de Júlio Casares por 224 votos a 2, com cinco abstenções. A decisão foi tomada após a análise de acusações de gestão temerária contra o ex-presidente, que renunciou no começo do ano depois de ter sido afastado.
A Comissão de Ética do clube havia recomendado a expulsão e o ressarcimento aos cofres são-paulinos. A acusação se baseia no artigo 34 do estatuto social. O valor a ser devolvido ainda será definido pelo departamento financeiro e precisará passar pela validação do Conselho Fiscal.
Valores sob investigação
O relatório da comissão considerou R$ 7 milhões em saques feitos por Casares. Essa quantia é investigada por uma Força-Tarefa da Polícia Civil e do Ministério Público. O ex-presidente afirma que os recursos foram usados em despesas relacionadas ao futebol.
Também foi analisado o uso do cartão corporativo, que chegou a cerca de R$ 1 milhão. Pouco mais da metade desse montante foi reembolsada ao clube. A conduta foi enquadrada no artigo 11 do estatuto, que trata de dano ou prejuízo material.
Casares não compareceu à reunião da Comissão de Ética em que poderia apresentar sua defesa. Representantes do ex-presidente alegaram que ele enfrentou um processo de exceção e teve o direito de defesa cerceado por não conseguir obter documentos para preparar sua manifestação.
A comissão rejeitou esse argumento. No relatório final, afirmou que foram entregues documentos financeiros, auditorias, respostas de Compliance, protocolos de jogos e shows, regras para o uso do cartão corporativo e faturas de diferentes exercícios. O documento também registra que a defesa reconheceu ter recebido materiais solicitados anteriormente, mas passou a fazer novos pedidos.
Em nota, os advogados Daniel Bialski, Bruno Borragine, André Bialski e Bruna Luppi disseram estar perplexos com o resultado e classificaram a medida como de caráter político, com “ares de perseguição”. A defesa reafirmou a regularidade da atuação de Casares e declarou confiança de que essa posição será reconhecida pelas autoridades judiciárias.



