A Fifa acusou a Uefa de promover uma campanha contra Gianni Infantino em uma manifestação apresentada à Justiça dos Estados Unidos. O caso envolve uma ação da entidade europeia para obter documentos sobre a criação, a estrutura e a avaliação da Fifa Forward Enterprise (FFE).
A subsidiária planejava vender 20% de participação a investidores e captar US$ 20 bilhões (R$ 103 bilhões). Com acesso aos documentos, a Uefa pretende ingressar com uma ação criminal contra o presidente da Fifa na Suíça.
Os representantes da Fifa afirmaram ao Tribunal de Nova York que as petições da Uefa apresentariam acusações jurídicas apenas formalmente e serviriam para sustentar ataques à entidade e à sua liderança. “A Uefa não tem autoridade para iniciar a ação que pretende na Suíça”, argumentaram os advogados.
A defesa sustenta que a Uefa poderia apenas comunicar uma eventual irregularidade às autoridades suíças. Caberia a essas autoridades decidir se abririam investigação, quem seria investigado e se haveria apresentação de queixa.
A Fifa também afirma que a FFE não passou de uma proposta, que ainda precisaria ser aprovada pelas associações e pelo Conselho. Em documento apresentado no processo, a entidade diz que a Uefa teria interesse econômico em impedir que países menores obtivessem recursos para competir com as principais seleções europeias.
Disputa política
A defesa da Fifa pode integrar a argumentação de Infantino na busca pela reeleição. As candidaturas serão oficializadas em novembro, quatro meses antes do Congresso da Fifa, marcado para março.
Cada associação tem direito a um voto de igual peso. Se houver dois candidatos, vence quem alcançar 50% + 1 dos votos válidos, que somam 106. Com três ou mais concorrentes, são necessários dois terços, ou 140 votos, no primeiro turno. Se ninguém atingir esse número, o candidato com menor percentual é eliminado até restarem dois concorrentes, definidos por maioria simples.
Infantino recebeu apoio declarado da Confederação Africana, com 54 votos, e da Conmebol, com 10. A AFC e a Concacaf aderiram à Uefa, mas enfrentam divisões internas. O presidente tem, por enquanto, cerca de 75 votos. No Caribe, há 25 associações habilitadas a votar, o que pode levar esse apoio para perto de 100 votos.
Participação de Joshua Kushner
Joshua Kushner contratou Alex Spiro para representá-lo na mesma ação movida pela Uefa nos Estados Unidos. Kushner, fundador da Thrive Capital, havia sido escolhido para liderar o projeto da FFE.
Ele era uma ligação do plano com Donald Trump. Joshua é irmão de Jared Kushner, genro e conselheiro político do governo americano. O pai dos dois, Charles Kushner, é embaixador dos Estados Unidos na França e em Mônaco.



