O Flamengo criticou a possibilidade de restrições às apostas esportivas no Brasil e afirmou que uma mudança abrupta nas regras pode afetar o esporte, a arrecadação pública e empresas ligadas ao setor. O governo pretende anunciar, nesta sexta, medidas de restrição às bets, incluindo um projeto de lei que criminaliza as plataformas e seus operadores.
Em comunicado publicado nas redes sociais, o clube defendeu a manutenção do marco regulatório aprovado pelo Congresso e regulamentado pelo governo. Para o Flamengo, empresas e instituições assumiram compromissos, fizeram investimentos e passaram a cumprir exigências de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor com base nessas regras.
“Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, escreveu o clube.
A instituição afirmou que a regulamentação pode ser aperfeiçoada e que empresas que descumprirem a lei devem ser punidas. Também argumentou que há uma diferença entre endurecer as normas e desmontar o modelo existente, em uma discussão que envolve segurança jurídica para empresas e instituições que fazem planos de longo prazo no país.
Efeitos apontados pelo clube
O Flamengo disse que uma eventual proibição das empresas que operam legalmente poderia atingir o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e campeonatos de diferentes modalidades. O impacto, segundo o clube, também alcançaria empregos diretos e indiretos e empresas de comunicação, marketing e tecnologia, além de fornecedores, arenas e outros prestadores de serviços.
A nota também relacionou o mercado regulado à arrecadação pública, por meio de impostos e destinações previstas em lei. Na avaliação do Flamengo, enfraquecer esse mercado pode reduzir os recursos destinados ao esporte e ao país.
O clube citou uma pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores. Um estudo da LCA Consultores baseado nesse levantamento estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra em plataformas clandestinas.
O comunicado afirma ainda que essa participação teria caído depois da regulamentação: de uma faixa entre 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.
Para o Flamengo, proibir as empresas legais não eliminaria as apostas nem o mercado clandestino. “O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço”, afirmou o clube.
A instituição defendeu o combate ao jogo ilegal, a proteção da população e a preservação da capacidade de investimento e da sustentabilidade das instituições esportivas. Também declarou que uma decisão desse tipo pode colocar em risco investimentos, empregos e compromissos firmados dentro das regras estabelecidas pelo país.



