SÃO PAULO — O ato de 7 de Setembro realizado na Avenida Paulista concentrou críticas ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e pedidos por uma maioria de direita no Senado. Embora a manifestação tenha exibido símbolos dos Estados Unidos e mensagens favoráveis a Donald Trump, os principais discursos evitaram defender publicamente a interferência do presidente norte-americano nas eleições brasileiras.
Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel apareceram ao lado das brasileiras. O público também levou imagens de Trump, cartazes em inglês, bonés com referências à campanha dele e pedidos para que acompanhasse o processo eleitoral no Brasil. Um manifestante usava fantasia de Elvis Presley. A grande bandeira norte-americana vista no ato bolsonarista de 7 de Setembro de 2025 não foi repetida.
A mudança ocorre em meio à discussão sobre possível influência estrangeira no pleito. Pesquisa Datafolha divulgada em agosto indicou que 50% dos brasileiros viam possibilidade de interferência externa. Para 32%, isso seria um problema; 18% não consideravam a hipótese problemática.
Críticas a Moraes e menções ao Banco Master
Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, não citou Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, durante o discurso. Nos últimos meses, porém, veio a público a relação entre os dois, marcada pela forma como Flávio se referia ao banqueiro e por pedidos de recursos.
O candidato afirmou que a aliança entre Luiz Inácio Lula da Silva e Moraes terminaria. Também prometeu indicar ao STF ministros contrários ao aborto, às drogas e ao que chamou de ideologia de gênero nas escolas. Ao falar da condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, comparou o episódio a uma nova facada e disse que adversários planejariam interferir novamente nas eleições, sem apresentar provas.
Tarcísio de Freitas (Republicanos) defendeu uma reação do Senado e a eleição de parlamentares de direita para a Casa, que tem atribuição constitucional para analisar pedidos de impeachment contra ministros do Supremo.
Nikolas Ferreira (PL-MG) pediu a saída de Moraes, disse que os bolsonaristas fariam o ministro perder a expressão de deboche e afirmou que o lugar dele seria a prisão. Também anunciou um ato diante da casa de Davi Alcolumbre (União-AP) em defesa do impeachment.
Silas Malafaia chamou Moraes de ditador da toga e afirmou que a mobilização não pretendia desmoralizar o STF. Em outro trecho, contudo, pediu uma ofensiva contra o ministro. O pastor ainda criticou a atuação de Moraes em relação a André Mendonça, depois que o ministro indicado por Jair Bolsonaro retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal sobre o caso. Mendonça foi apoiado por cartazes e aplausos durante a manifestação.
Malafaia também citou o Banco Master, sem mencionar as relações de outros participantes com Vorcaro. Nikolas confirmou ter trocado mensagens com o empresário e negou ter recebido dinheiro. Tarcísio recebeu, em 2022, R$ 2 milhões de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e principal doador individual de sua campanha ao governo paulista. O governador nega favorecimento e afirma nunca ter mantido contato com Vorcaro ou Zettel.
Relação com Trump
A cautela no palanque contrastou com manifestações anteriores de Flávio. Em julho de 2025, depois de Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, o senador agradeceu ao presidente norte-americano em uma publicação e reproduziu mensagem de Eduardo Bolsonaro favorável à medida.
No fim de agosto deste ano, durante sabatina ao Jornal Nacional, Flávio disse que Eduardo havia errado ao agradecer pelas tarifas. A postagem anterior, na qual ele próprio fizera o mesmo, voltou a circular.
Em julho, Flávio também enviou ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) um pedido para que uma tarifa adicional de 25% contra o Brasil não entrasse em vigor antes das eleições. Na manifestação, argumentou que a medida poderia ser interpretada como tentativa de influenciar a disputa e beneficiar o governo brasileiro.
BRASÍLIA — Nas comemorações oficiais, Luiz Inácio Lula da Silva colocou a soberania nacional no centro da mensagem. Em pronunciamento na véspera, o presidente afirmou que o Brasil não deveria se submeter a potências estrangeiras e disse que o país não seria colônia de ninguém.
Lula relacionou a soberania ao controle sobre terras raras, petróleo, água doce e outros recursos estratégicos. No desfile da Esplanada dos Ministérios, o lema foi “Soberania: a força que une o Brasil”. A cerimônia incluiu equipamentos militares, máquinas da agricultura familiar, estoques públicos de alimentos, vacinação, educação, proteção ambiental e ações de defesa das riquezas naturais.
Cerca de 4 mil civis e militares participaram do desfile, que também destacou o combate à violência contra meninas e mulheres e a Copa do Mundo Feminina de 2027. Parte do público pediu o fim da escala 6×1, apoiou Lula e se manifestou contra a anistia aos envolvidos nos atos golpistas. A cerimônia teve a presença de Hugo Motta, Davi Alcolumbre e Edson Fachin.



