SÃO JOSÉ DOS PINHAIS — Quatro policiais militares são acusados de usar uma viatura e armas da corporação para retirar caixas de celulares de um caminhão-cegonha. Os aparelhos estavam escondidos em um carro transportado pelo veículo, segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Os PMs identificados são Anderson Luis de Oliveira, Alexandre Rodrigues Kondageski, Danniel da Cruz Melo Fonseca e Evandro Mateus Gasparello. Eles atuam em São José dos Pinhais, na Região Metropolitana de Curitiba, e respondem por roubo qualificado. Desde fevereiro, estão afastados do serviço operacional nas ruas e impedidos de usar as armas da corporação.
Abordagem na rodovia
Conforme a denúncia, depois de encontrarem as caixas em um dos veículos transportados, Alexandre Rodrigues Kondageski entrou na cabine do caminhão com uma arma de fogo em punho. O motorista teria sido obrigado a acompanhar a viatura.
A abordagem ocorreu na marginal da BR-116. Segundo o Gaeco, os policiais retiraram os celulares do caminhão e colocaram as caixas dentro da viatura. A denúncia sustenta que a condição de agentes públicos, o veículo oficial e as armas foram usados na ação. O motorista também teria sido ameaçado.
O caso foi levado ao Ministério Público pela dona da carga. Ela apresentou versões contraditórias sobre os aparelhos transportados, que não tinham nota fiscal. Para o Gaeco, uma eventual irregularidade na carga não justificaria a conduta atribuída aos policiais.
Investigação e defesa
O promotor de Justiça Fernando Cubas Cesar afirmou que os policiais não fizeram registro da abordagem nem de um Boletim de Ocorrência, além de terem mantido desligado o sistema de GPS da viatura: "eles não fizeram nenhum registro de Boletim de Ocorrência".
A defesa afirma que os quatro são inocentes e que não há provas do crime. O advogado Willian Anderson Hervis disse que a equipe não costumava registrar todas as situações levadas aos policiais e que, como não houve apreensão efetiva da mercadoria, não foi feito boletim.
A Polícia Militar optou por não se manifestar sobre o caso.


