A ausência de manifestação imediata do senador Cleitinho Azevedo sobre a investigação contra seu aliado Euclydes Pettersen é criticada como um sinal de seletividade política. Pettersen, deputado federal e presidente do Republicanos em Minas Gerais, foi alvo de um mandado de busca e apreensão emitido pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.
Pettersen é investigado sob suspeita de ter recebido mais de 14 milhões de reais por uma suposta atuação junto à Conafer, entidade apontada no caso como promotora de descontos irregulares nos pagamentos de aposentados e pensionistas do INSS. A condição dele, porém, ainda é a de investigado, com direito ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório.
Críticas à atuação do senador
A avaliação apresentada é que Cleitinho construiu sua atuação política com denúncias frequentes, vídeos para redes sociais e críticas a problemas do governo federal. O texto também questiona a produção legislativa do senador e descreve sua atividade pública como concentrada na fiscalização e na exposição de adversários.
A crítica se torna mais dura porque Pettersen é aliado próximo de Cleitinho e apontado como seu possível principal cabo eleitoral em 2026. Enquanto jornalistas buscavam uma reação do senador após a ação da Polícia Federal, ele permaneceu em silêncio durante boa parte do dia.
No fim da tarde, uma nota atribuída a Cleitinho apresentou uma resposta breve: “O princípio é o da investigação pública. Agora tem que esclarecer. Que se investigue tudo”. A manifestação foi considerada insuficiente diante do padrão de cobranças que o senador costuma dirigir a adversários políticos.
A coluna sustenta que o episódio expõe um duplo padrão: críticas contundentes quando as acusações atingem rivais e cautela quando envolvem um correligionário. Também defende que Cleitinho deveria cobrar publicamente de Pettersen os mesmos esclarecimentos que exige em outras situações.



