A Polícia Nacional do Peru prendeu Jorge Darwin Villalobos Cruz, acusado de envolvimento na morte da ex-companheira Patrícia Cristina do Nascimento. A captura ocorreu na quarta-feira (23), no distrito de San Mateo, na província de Chumbivilcas, em Cusco. Segundo as autoridades peruanas, ele trabalhava quando foi abordado.
Patrícia foi morta a facadas em Curitiba, em janeiro de 2024. Conforme o Ministério Público, o filho autista da vítima, que tinha 10 anos na época, estava dentro da residência e teria ouvido os pedidos de socorro da mãe.
O nome de Jorge constava na lista vermelha da Interpol. O alerta é encaminhado às forças policiais de 196 países para localizar e prender provisoriamente pessoas foragidas. Ele respondia ao processo em liberdade, mas deixou de cumprir medidas cautelares determinadas pela Justiça brasileira e passou a ser considerado foragido em setembro de 2025.
O Ministério Público informou que vai pedir a extradição do peruano para o Brasil. O órgão também afirmou que o processo aguarda, desde 23 de setembro, inclusão na pauta de julgamentos da 2ª Vara, após requerimento apresentado pelo MPPR.
Investigação do caso
Rosicleia de Souza, que mantinha relacionamento com Jorge na época do crime, também responde pela morte e aguarda o julgamento em liberdade. Câmeras de segurança registraram o casal e a filha adolescente de Rosicleia, então com 13 anos, indo até a casa de Patrícia.
Segundo o Ministério Público, Patrícia e Jorge tiveram um relacionamento por cerca de 8 anos e tiveram um filho juntos, diagnosticado com transtorno do espectro autista. Depois do fim da relação, Jorge teria deixado de pagar pensão alimentícia e iniciado uma disputa pela guarda do menino.
No dia do crime, Patrícia e Rosicleia discutiram por mensagens. De acordo com testemunhas, as duas entraram em luta corporal, e Rosicleia golpeou Patrícia com uma faca. Durante a investigação, as duas pessoas envolvidas disseram que Patrícia teria saído de casa armada e que o golpe ocorreu em legítima defesa. Também afirmaram que deixaram o local por medo e retornaram depois de perceberem a presença da polícia.
O Ministério Público sustenta que Jorge indicou a residência de Patrícia a Rosicleia, que teria cometido o assassinato. Rosicleia foi presa em flagrante, mas recebeu liberdade provisória e passou a responder ao processo solta.
O advogado Jean Paulo Pereira, que defende Jorge, afirmou que o cliente deixou o Brasil após receber ameaças de morte. Segundo a defesa, ele estava no Peru com a família, trabalhando como segurança privado em uma instituição financeira, com registro profissional. Os advogados também disseram que Jorge comparecia mensalmente ao fórum enquanto estava no Brasil para justificar suas atividades.
Os representantes da família de Patrícia, Samir Mattar Assad e Gessika Cristine Bonetto, declararam que a prisão renovou a confiança dos familiares nas instituições do Sistema de Justiça. Eles esperam que o processo de extradição avance para que o acusado responda perante o Tribunal do Júri.



