Os quatro homens suspeitos de torturar Alexandre deixaram a prisão no domingo (6), depois de 24 dias detidos. A soltura ocorreu após um laudo da Polícia Científica, entregue à Polícia Civil, indicar que o jovem não foi jogado do 14º andar. A conclusão é que ele caiu ao tentar escapar do apartamento onde estava sendo mantido e agredido.
Os investigados, que têm entre 22 e 24 anos, passam a responder em liberdade, com medidas cautelares. Três deverão usar tornozeleira eletrônica, e todos estão proibidos de manter contato com testemunhas ou sair da cidade sem autorização. Os nomes não foram divulgados.
A queda ocorreu no dia 14 de agosto, depois que Alexandre foi agredido, dopado e torturado por colegas de sua namorada. Os suspeitos acreditavam que ele havia furtado uma câmera fotográfica. Eles foram presos por tortura, com agravantes de cárcere privado e resultado morte.
Conclusão do laudo
O delegado Roberto Fernandes afirmou que a perícia descartou a hipótese de o corpo ter sido lançado do prédio. De acordo com ele, um morador do apartamento logo abaixo relatou ter visto Alexandre tentar alcançar a sacada. O jovem não conseguiu entrar porque o vidro estava fechado e havia uma rede de proteção. Ele rompeu parte da rede com os pés e, em seguida, caiu.
“Foi uma queda involuntária”, disse Fernandes. O delegado afirmou que a investigação considera configurado o crime de tortura, mas ainda analisa se a morte deve ser enquadrada como resultado dessa prática, já que ocorreu durante a tentativa de fuga do cativeiro.
A Polícia Civil aguarda a conclusão do laudo toxicológico e da análise sobre medicamentos que podem ter sido administrados à vítima antes de concluir o inquérito. Segundo o delegado, a pena pode variar de 2 a 8 anos se for reconhecida apenas a tortura, ou de 8 a 16 anos caso seja considerada tortura com resultado morte. O agravante relacionado ao cativeiro ou sequestro pode elevar a pena de 1/6 a 1/3.
Dinâmica investigada
Segundo a investigação, Alexandre visitava a namorada quando, por volta das 22h30 de quinta-feira (13), foi confrontado com uma faca pelos quatro homens. A câmera era avaliada em R$ 12 mil. Depois, ele foi trancado em um cômodo, teve mãos e pés amarrados com um cabo de extensão e sofreu agressões durante cerca de quatro horas.
O delegado Miguel Chibani afirmou que os suspeitos obrigaram Alexandre a ingerir dois comprimidos de um medicamento que causa irresponsividade. O jovem também teria sido ameaçado de morte e acusado de furtar a câmera. A ocorrência foi inicialmente registrada como suicídio, mas os policiais encontraram do lado de fora da porta a chave que trancava o cômodo.
A defesa, representada pelos advogados Arthur Travaglia e Claudia Piccin, afirmou que os laudos de local de morte e de necropsia não apresentaram elementos concretos para manter a prisão preventiva. Os defensores disseram que o pedido foi acolhido após a análise dos depoimentos das testemunhas e das condições pessoais dos investigados.



