Contratos firmados por profissionais que trabalharam em Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL), determinavam sigilo por prazo indefinido e previam multa de R$ 1 milhão em caso de divulgação de informações. Os documentos integram a investigação da Polícia Federal sobre o financiamento da produção pelo ex-dono do Banco Master.
Os acordos foram assinados por diferentes trabalhadores, entre eles atores e uma estagiária. Com texto padronizado e o mesmo valor de penalidade, os documentos têm datas entre 24 de junho e 21 de outubro de 2025. Além da multa, o contrato previa a cobrança de honorários advocatícios e de perdas e danos caso informações fossem repassadas a terceiros.
Informações protegidas
O sigilo abrangia dados, documentos, filmes, imagens e números relacionados a pessoas, empresas, contratos e parcerias. Também incluía especificações técnicas ou comerciais, segredos empresariais, demonstrações financeiras, projeções e dados contábeis e fiscais. O documento mencionava ainda o possível vazamento de nomes.
A obrigação era descrita como “imprescritível e irrevogável”, o que estabelecia a manutenção do silêncio sem limite de tempo sobre a obra e a empresa Go Up Entertainment.
Outro trecho autorizava a produtora a exigir que qualquer profissional devolvesse ou destruísse registros relacionados à produção. Se um trabalhador fosse obrigado pela Justiça a revelar informações, deveria avisar imediatamente a Go Up Entertainment.
Nessa situação, o contrato determinava que fossem entregues às autoridades apenas “o necessário”. O profissional também deveria se empenhar para obter uma ordem que assegurasse tratamento confidencial ao material.
Até o momento, não havia sido localizada a defesa da Go Up Entertainment.



