SÃO PAULO — A Polícia Federal deverá receber os dados brutos extraídos dos celulares de pessoas físicas e jurídicas investigadas no caso do filme “Dark Horse”. A determinação é do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo do material da Polícia Civil de São Paulo relacionado ao financiamento da produção sobre a trajetória de Jair Bolsonaro (PL).
A Secretaria de Segurança do Estado de São Paulo terá de encaminhar à PF também os computadores e os demais documentos reunidos na investigação. A transferência deverá seguir as cautelas legais determinadas na decisão.
Disputa sobre a relatoria
A defesa de Flávio Bolsonaro (PL) solicitou ao STF, ao menos quatro vezes, que a apuração ficasse concentrada no ministro André Mendonça. Ele foi o primeiro relator do tema na corte e já conduzia outras duas petições relacionadas ao caso. Mendonça foi indicado ao Supremo por Jair Bolsonaro.
Dino permaneceu responsável por parte da investigação porque o trecho trata do uso indevido de emendas parlamentares, tema sob sua responsabilidade. Os dados que embasaram a decisão foram recebidos da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens do Foro Central Criminal Barra Funda, em São Paulo.
Operação e financiamento
Na quinta (10), a Polícia Federal deflagrou uma operação contra 29 pessoas ligadas à apuração sobre o envio de emendas parlamentares para a produtora do filme. A medida foi autorizada por Dino no processo que a defesa de Flávio Bolsonaro tentou transferir para Mendonça.
A produção passou a integrar a crise da candidatura do PL à Presidência da República após a divulgação de áudios nos quais o presidenciável pede dinheiro ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Master, para concluir a obra.



