Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Política

Caiado tenta manter influência em Goiás enquanto busca espaço na disputa presidencial

Ex-governador participa da campanha de Daniel Vilela, mas enfrenta dificuldades para transferir sua força política para a corrida nacional.

Caiado é peça central da eleição ao governo de Goiás em meio a dificuldades no nível nacional

Ronaldo Caiado segue como figura central na disputa pelo governo de Goiás, mesmo depois de deixar o cargo para concorrer à Presidência. Com dificuldades para avançar nacionalmente, ele tem participado de atos ao lado de Daniel Vilela (MDB), seu ex-vice e atual governador, em uma tentativa de preservar o grupo político no comando do Estado.

Caiado esteve em Aparecida de Goiânia após se recuperar de uma pneumonia e também acompanhou, em Goiânia, o desfile cívico de 7 de Setembro. A presença dele tem peso adicional porque Gracinha Caiado (União), sua mulher, disputa uma vaga ao Senado pela chapa de Vilela.

Na pesquisa AtlasIntel divulgada no dia 3, Vilela aparece com 43,5% das intenções de voto. Wilder Morais (PL) tem 20,1% e está tecnicamente empatado com Marconi Perillo (PSDB), que soma 16,1%. O levantamento foi registrado sob o protocolo GO-05293/2026 e tem margem de erro de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Vilela assumiu o mandato no dia 31 de março e busca a reeleição. A campanha adotou uma associação direta com Caiado, que aparece em destaque no horário eleitoral e narra trechos sobre a parceria entre os dois. O slogan é “É Daniel, é Caiado. Tudo junto e misturado.”

Para Guilherme Carvalho, doutorando em Ciência Política pela Universidade de Brasília (UnB) e diretor-executivo da Métrica Viabilidade, a estratégia envolve a disputa pelo legado político de Caiado. Segundo ele, além de transferir aprovação, Vilela precisa preservar a coalizão formada durante a gestão anterior. O governo de Caiado é aprovado por 84% dos eleitores goianos, conforme pesquisa Quaest divulgada em 30 de julho de 2026.

A associação entre os dois políticos também foi contestada na Justiça Eleitoral. O Tribunal Regional Eleitoral de Goiás (TRE-GO) suspendeu, no final do mês passado, duas peças da propaganda de Vilela com participação de Caiado. O tribunal entendeu que o conteúdo ultrapassava o resgate histórico e configurava promoção eleitoral. As decisões foram derrubadas posteriormente.

Disputa pelo eleitorado de direita

Wilder Morais tenta se apresentar como alternativa ao grupo que governou Goiás nos últimos anos, aproximando-se do bolsonarismo. Sua propaganda utiliza referências a fé, família, trabalho, campo e desenvolvimento do Estado, além de imagens ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro. A mensagem termina com o número 22.

A disputa coloca Vilela e Wilder em uma faixa semelhante do eleitorado, embora com referências políticas diferentes. Carvalho avalia que o confronto entre o grupo de Caiado e o bolsonarismo envolve menos uma divergência ideológica do que a disputa pela liderança entre eleitores de direita.

Marconi Perillo adotou uma estratégia própria. Com cerca de 30 segundos no horário eleitoral, recuperou realizações associadas aos seus quatro mandatos, como o HUGOL, a Universidade Estadual de Goiás (UEG), a Bolsa Universitária, os colégios militares e as Patrulhas Maria da Penha.

Na segunda-feira, 31, Perillo elevou o tom contra Vilela e afirmou que o adversário havia começado a campanha dizendo mentiras. Também declarou que pretendia “acabar com os esquemas do atual governo”. Para Carvalho, porém, o tucano tem dificuldade para transformar a crítica à gestão atual em uma proposta de futuro.

No cenário nacional, Caiado enfrenta obstáculos para converter a influência construída em Goiás em uma candidatura presidencial competitiva. Na pesquisa Atlas mencionada, ele aparece com 19,2% no Estado. Ainda segundo Carvalho, o ex-governador encontra dificuldade para romper a polarização porque não se diferencia de maneira suficientemente clara dos principais nomes da direita e permanece pouco conhecido pelo eleitorado nacional.

O cientista político afirma que Caiado construiu reconhecimento entre setores da elite política e do agronegócio, mas disputa um eleitorado que tende a priorizar o nome considerado mais competitivo contra o PT. “Caiado sempre foi uma liderança de nicho”, diz Carvalho.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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