RIO DE JANEIRO — Candidato à reeleição para deputado estadual pelo PSD, Claudio Caiado defendeu mudanças no sistema prisional como medida inicial para enfrentar a crise da segurança pública no Estado do Rio de Janeiro. Entre as propostas estão o bloqueio da comunicação entre presos e integrantes de facções, o uso de tecnologias de fiscalização e a oferta de trabalho aos detentos.
Aos 50 anos, no fim do primeiro mandato na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Caiado também apresentou medidas para isentar do IPVA motoristas de aplicativo, ampliar a habitação popular, fortalecer a educação técnica, integrar informações de saúde, combater o furto de cabos e expandir o metrô.
Segurança e sistema prisional
O deputado afirmou que as unidades penitenciárias precisam exercer funções de punição e ressocialização. Como referência, citou Goiás, onde, segundo ele, são utilizados scanners para impedir a entrada de celulares, há condições específicas para revistas durante as visitas e são mantidas atividades de trabalho para os presos.
Caiado atribuiu esses resultados ao governo de Ronaldo Caiado e disse que, no Rio, facções ainda conseguem transmitir ordens de dentro das cadeias para criminosos em liberdade. “O principal objetivo para começarmos a arrumar a segurança pública é pelo sistema prisional”, declarou.
O Governo do Estado anunciou a abertura de 5.128 novas vagas penitenciárias até o fim de 2028, como parte das ações relacionadas ao Plano Pena Justa. Em uma operação em unidades do Rio, 700 policiais participaram da ação, que apreendeu 165 celulares. Também estão previstos scanners corporais, drones e sistemas de varredura.
IPVA, habitação e educação
O Projeto de Lei 8.321/2026, apresentado por Caiado, prevê IPVA zero para profissionais autônomos que tenham transporte ou entrega por aplicativo como única fonte de renda e faturamento anual de até R$ 200 mil. A proposta exige, entre outros critérios, pelo menos um ano de atuação na plataforma e uma quantidade regular de viagens.
O parlamentar também mencionou sua participação, ao lado do deputado Luiz Paulo, na criação do programa IPVA em Dia. A iniciativa permite parcelar débitos do imposto em até 12 vezes, sem juros, com liberação do licenciamento após o pagamento da primeira parcela.
Na habitação, Caiado defendeu a retomada da produção de moradias para famílias de menor renda. Ele estimou o déficit habitacional do estado em cerca de 500 mil unidades e citou os programas Morar Carioca, voltado à urbanização, e Casa Carioca, destinado a pequenas reformas em imóveis com condições inadequadas.
Na educação, propôs a recuperação da Fundação de Apoio à Escola Técnica (Faetec), a ampliação do ensino médio em tempo integral e a contratação de mais mediadores para estudantes autistas, com TDAH e outras neurodivergências. Também defendeu cursos especializados e apoio para familiares responsáveis pelos cuidados diários.
Saúde, cabos e mobilidade
Para a saúde, Caiado propôs um prontuário eletrônico único, acessível por unidades municipais, estaduais e particulares autorizadas. A medida, segundo ele, permitiria reunir informações sobre alergias, tratamentos anteriores e exames, reduzindo a repetição de perguntas e procedimentos.
No combate ao furto de fios e equipamentos urbanos, o deputado defendeu ações contra estabelecimentos que compram e revendem os materiais. Uma lei de sua autoria ampliou punições administrativas para ferros-velhos e outros locais flagrados com cobre, cabos e equipamentos furtados, incluindo interdição e fechamento definitivo em caso de reincidência, após o devido processo legal.
Caiado estimou em cerca de R$ 400 milhões por ano o movimento da cadeia ilegal ligada ao furto de cabos. Em setembro, uma operação fechou ferros-velhos ilegais no Sampaio e apreendeu materiais.
Na mobilidade, o candidato defendeu a construção da Linha 3, entre Rio, Niterói e São Gonçalo, e a extensão do metrô da Barra da Tijuca até o Recreio dos Bandeirantes. Também sugeriu o uso de lagoas e canais para um sistema de transporte aquaviário integrado ao metrô.
Estratégia eleitoral
Caiado estimou que o PSD poderá eleger entre 11 e 12 deputados estaduais e de seis a sete deputados federais pelo Rio de Janeiro. Ele declarou apoio a Eduardo Paes para o Governo do Estado e afirmou que o ex-prefeito deve aplicar na administração estadual o modelo de gestão utilizado na capital.
Sobre a presidência da Alerj, disse que o PSD tem nomes aptos a disputar o comando da Casa, mas defendeu que a negociação ocorra após o resultado das urnas. O deputado também afirmou que Executivo e Legislativo devem manter independência e uma relação institucional capaz de permitir a aprovação de projetos.



