Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Ex-sócio de Flávio Bolsonaro afirma guardar documentos e cobra dívida milionária

Alexandre Santini diz ter registros sobre a relação com o senador e afirma que a antiga sociedade em loja de chocolates gerou prejuízo.

Quem é Santini, ex-sócio que diz poder colocar Flávio na cadeia
Foto: Reprodução

O empresário paulista Alexandre Ferreira Dias Santini afirma ter guardado, por quase duas décadas, mensagens, áudios, comprovantes bancários, notas fiscais e fotografias relacionados a Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Ex-sócio e ex-amigo do senador, ele passou a mencionar o material depois de um rompimento provocado por uma disputa financeira envolvendo uma antiga empresa dos dois.

Santini conheceu Flávio no início dos anos 2000, no Rio de Janeiro, por meio de amigos em comum. Naquele período, mantinha uma empresa de importação e exportação com Carlos Alberto Parreira, ex-técnico da Seleção Brasileira. A proximidade com Flávio levou o empresário a participar de eventos privados da família Bolsonaro, viagens e festas, incluindo encontros na casa do jogador Neymar e réveillons em Angra dos Reis.

A relação pessoal evoluiu para uma sociedade na Bolsotini Chocolates e Café Ltda., franquia da Kopenhagen instalada no shopping Via Parque, na Barra da Tijuca. Flávio era deputado estadual no Rio de Janeiro quando convidou Santini para participar do negócio. O empresário ficou encarregado da rotina administrativa e do caixa da loja.

Disputa sobre a sociedade

A loja foi incluída nas investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro sobre o esquema de “rachadinhas” no antigo gabinete de Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. A apuração considerou a hipótese de que o estabelecimento tivesse sido usado para lavar recursos provenientes do recolhimento de parte dos salários de assessores. Promotores chamaram Santini de “laranja de luxo”.

Em 2018, o empresário viajou de carro para Juiz de Fora (MG) com Fabrício Queiroz. Depois, mudou-se para Brasília e abriu a Santitech Suporte em Tecnologia da Informação. A empresa ficou ativa por dez meses e tinha como endereço cadastrado um lote sem construção na Asa Sul.

O rompimento com Flávio ocorreu durante o período eleitoral de 2022, após divergências sobre as contas da loja. Santini diz ter acumulado prejuízos e passou a cobrar aproximadamente R$ 1,4 milhão, relativos à distribuição de lucros, a aportes feitos no início da sociedade e a despesas que afirma ter pago sem receber reembolso.

Segundo o empresário, ele apresentou uma planilha em uma reunião no gabinete de Flávio no Congresso Nacional. Santini afirma que o senador reconheceu a existência dos valores, mas depois teria negado a dívida e dito que ele perderia uma eventual ação judicial. Em outro trecho do relato, Flávio teria afirmado: “Olha quem você é e olha quem eu sou”.

Santini enviou notificações extrajudiciais e apresentou uma reclamação pré-processual à Justiça de Brasília. Ele diz que o investimento inicial na loja foi de R$ 1 milhão: R$ 450 mil teriam sido aportados por ele, R$ 200 mil por Flávio e R$ 350 mil por Fernanda Bolsonaro, por meio bancário.

O empresário também sustenta que houve diferença na divisão dos resultados. De acordo com seus cálculos, embora a participação societária fosse igual, Flávio teria recebido R$ 1,7 milhão em lucros, incluindo R$ 700 mil em dinheiro vivo. Santini afirma ter recebido R$ 644 mil.

Registros mantidos pelo empresário

Após a ruptura, Santini passou a preservar documentos e registros do período em que conviveu com o senador. Ele afirma possuir materiais sobre despesas pessoais pagas por terceiros, operações imobiliárias com dinheiro em espécie, conversas com Fabrício Queiroz sobre pedidos de auxílio financeiro e relógios de luxo atribuídos a Flávio.

O acervo também incluiria fotografias de mulheres, mensagens sobre a organização de encontros privados e registros de festas. Santini diz que informações sobre esses episódios chegaram a Fernanda Bolsonaro e provocaram uma crise pessoal entre o casal, posteriormente superada.

A pessoas próximas, o empresário declarou: “Se eu quiser, eu ponho o Flávio na cadeia”. Flávio rejeitou as acusações e, ao comentar em 2023 as mensagens enviadas pelo ex-sócio, classificou os relatos como “infundados”.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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