Flávio Bolsonaro passou a usar a imagem de Nossa Senhora Aparecida em sua comunicação eleitoral depois de acusar integrantes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de ajudarem o PT a disseminar uma informação falsa sobre sua candidatura. A entidade negou a acusação e afirmou que não participou da produção ou divulgação de desinformação.
A mudança colocou no centro da campanha a contradição entre os ataques à Igreja Católica e a exploração política de um dos principais símbolos da fé católica no Brasil. Em declaração pública, Flávio disse que pessoas ligadas à CNBB teriam contribuído para espalhar a informação, mas não apresentou documentos, nomes ou outras evidências para sustentar a afirmação.
A CNBB respondeu que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição. Em nota, a entidade afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira” e declarou não fazer parte de estruturas político-partidárias.
Polêmica sobre Nossa Senhora Aparecida
A controvérsia ganhou força após a circulação da informação de que Flávio poderia apoiar a retirada do título de Padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O candidato negou a existência de qualquer proposta nesse sentido e classificou o conteúdo como fake news.
O projeto de lei associado a parte da confusão havia sido apresentado em 2007 e arquivado em 2008. Durante a crise, também houve correção de uma informação inicialmente divulgada sobre o tema.
A discussão se relaciona a uma declaração feita pelo próprio candidato em agosto. Na ocasião, Flávio afirmou que, se fosse eleito presidente, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”.
Depois de se envolver na disputa sobre a padroeira, o candidato passou a apresentar Nossa Senhora Aparecida em sua comunicação política e a se colocar como defensor do cristianismo. A religião, assim, ganhou espaço na estratégia eleitoral durante a reta final da campanha.
Reações em São Paulo
Flávio foi recebido com vaias e gritos de “fariseu” e “mentiroso” no Centro de São Paulo. Na segunda-feira (28), durante uma agenda no Brás, um gerador instalado em um carro de som pegou fogo por volta das 11h10. O incidente ocorreu enquanto Ricardo Nunes discursava e antes da chegada de Flávio.
O equipamento foi substituído, e a campanha conseguiu continuar. O fogo interrompeu os discursos e, inicialmente, a origem do incidente não havia sido esclarecida. Vídeos e relatos da caminhada também registraram manifestações de rejeição ao candidato.
A sequência dos episódios deixou a credibilidade das acusações de Flávio sob questionamento político. O candidato classificou como fake news uma informação que considerou prejudicial à sua campanha, acusou a CNBB de participação na disseminação do conteúdo sem apresentar provas e, em seguida, incorporou a imagem de Nossa Senhora Aparecida à disputa eleitoral.



