O senador Flávio Bolsonaro contratou Celso Leonardo Barbosa, ex-vice-presidente da Caixa Econômica Federal demitido após denúncias de assédio sexual, para atuar como assessor parlamentar. A exoneração ocorreu depois que o gabinete foi questionado sobre a permanência dele na equipe.
Celso havia sido contratado em junho de 2025, com salário mensal de R$ 20,7 mil. Ele ocupou a função na Caixa durante a gestão de Pedro Guimarães, de quem era considerado homem de confiança. Guimarães havia sido indicado ao cargo por Jair Bolsonaro e também deixou o banco após denúncias de assédio sexual.
Uma empregada da Caixa denunciou ter sido assediada sexualmente por Celso durante uma viagem a Goiás, no contexto do programa Caixa Mais Brasil. Em 2022, uma funcionária também o acusou de acobertar assédios atribuídos a Pedro Guimarães.
Celso foi demitido da Caixa pouco depois da saída de Guimarães. No processo relacionado ao caso de assédio, formalizou um acordo de não persecução penal com a Justiça, assumiu culpa e prestou serviços comunitários. Ele também responde a processo por falsidade ideológica. A acusação afirma que foram inseridas informações inverídicas em documentos usados para sua indicação ao cargo de vice-presidente da Caixa.
Atuação fora do Senado
O currículo de Celso registra ainda sua atuação como professor da Fundação Dom Cabral. A instituição informou que ele estava cadastrado como professor convidado eventual, sem vínculo empregatício.
Havia registros de aulas e palestras realizadas durante o horário de expediente, inclusive fora de Brasília. Nas redes sociais, Celso não mencionava sua passagem pela Caixa nem o cargo de assessor parlamentar.
Flávio Bolsonaro afirmou que o ex-assessor omitiu pendências judiciais e violou normas do Senado Federal ao exercer atividades particulares durante o expediente. “Diante da gravidade dos fatos, o desligamento foi realizado de forma imediata”, declarou.
A presidenta do Sindicato, Neiva Ribeiro, disse que a entidade havia cobrado providências da direção da Caixa diante das denúncias contra Pedro Guimarães e integrantes de sua equipe. Para ela, a contratação de Celso para um cargo com remuneração superior a R$ 20 mil representa uma premiação a alguém com histórico de abusos e ilegalidades.




