CURITIBA — Com o lema “Na defesa da Terra, da Paz e da Moradia, erguemos a voz: Mulheres Vivas e Soberania!”, o Grito dos Excluídos, Excluídas e Excluídes realiza sua 32ª edição na próxima segunda (7), em Curitiba. A mobilização nacional mantém como tema permanente “Vida em Primeiro Lugar!”.
A concentração será às 14h30, na Praça Tiradentes, no Centro da capital. A programação prevê lanche partilhado, oficina de cartazes, intervenções culturais e uma marcha pelas ruas da cidade.
Reivindicações em Curitiba
Entre as pautas locais estão a defesa de famílias ameaçadas de despejo em ocupações urbanas, a oposição ao modelo cívico-militar nas escolas do Paraná, o combate aos casos de feminicídio e o fim da jornada de trabalho 6×1.
A mobilização ocorre em todo o país no Dia da Independência e reúne movimentos populares, sindicatos, pastorais, igrejas, entidades e grupos ligados às lutas sociais. Para Milton Rezende, conhecido como Miltinho e secretário nacional de Mobilização da CUT, a presença sindical deve ampliar a pressão pela redução da jornada de trabalho. “Precisamos fazer das ruas e das redes espaços permanentes de pressão e diálogo com a sociedade”, afirmou.
A referência às “Mulheres Vivas” busca destacar a violência contra as mulheres. O material de preparação do Grito informa que mais de 1.500 mulheres foram assassinadas no Brasil em 2025. A mobilização também relaciona o problema às desigualdades de raça, renda e gênero que atingem com maior intensidade mulheres negras, periféricas, camponesas, indígenas e chefes de família.
Terra, moradia e soberania
A edição de 2026 coloca terra e moradia entre as prioridades. No campo, o movimento denuncia conflitos envolvendo povos indígenas, quilombolas, comunidades tradicionais, camponeses e trabalhadores rurais. Dados da Comissão Pastoral da Terra registraram 1.593 conflitos no campo em 2025; os conflitos por terra representaram 75% das ocorrências. No mesmo período, 26 pessoas foram assassinadas em situações relacionadas a conflitos rurais, o dobro do registrado em 2024.
Nas cidades, as pautas incluem o déficit habitacional, o aumento dos aluguéis e a expulsão de famílias de baixa renda de áreas mais estruturadas. A Fundação João Pinheiro estima déficit de 5,97 milhões de domicílios no país e aponta que outros 27,6 milhões têm inadequações, como infraestrutura precária, excesso de moradores ou insegurança na posse da terra.
O lema também aborda a defesa da paz e da soberania nacional, associada ao direito de a população brasileira decidir seus caminhos econômicos, políticos e sociais. O debate inclui a proteção da democracia, da água, da terra, do petróleo e de outros recursos estratégicos, além da autodeterminação dos povos e da integração latino-americana.
Origem da mobilização
A proposta do Grito surgiu em 1994, a partir da 2ª Semana Social Brasileira da CNBB. A iniciativa também recebeu inspiração da Campanha da Fraternidade de 1995. A primeira edição ocorreu em 7 de setembro de 1995, com o lema “A vida em primeiro lugar”.
A data foi escolhida para estabelecer um contraponto ao Grito da Independência oficial e estimular a reflexão sobre o acesso aos direitos e à riqueza produzida no país. A partir de 1996, a mobilização foi assumida pela CNBB e aprovada em Assembleia Geral como parte do Projeto Rumo ao Novo Milênio.
A Coordenação Nacional reúne 21 organizações, entre movimentos populares, sindicatos, pastorais e entidades. A rede realizou três encontros nacionais on-line em 2026, e prevê uma nova reunião para 31 de outubro, destinada a avaliar a edição deste ano e preparar a mobilização seguinte.



