O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a defender que testemunhas sejam ouvidas no plenário da Corte para verificar as informações de um relatório de inteligência da Polícia Federal. O documento aponta que o ministro André Mendonça teria tentado interferir indevidamente no andamento de acordos de delação premiada em uma investigação sobre desvios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
O relatório também registra que Mendonça teria perguntado, em reuniões com a equipe da Polícia Federal, sobre o conteúdo encontrado no celular de Daniel Vorcaro, dono do extinto Banco Master, relacionado a Moraes. Mendonça considera o documento apócrifo porque, por ser interno, não teria valor probatório.
Moraes argumenta que relatórios de inteligência não são provas, mas são documentos oficiais e meios de obtenção de prova. Para o ministro, os depoimentos permitiriam conferir a veracidade das informações. “É muito fácil saber se o que consta no relatório de inteligência é verdadeiro ou não. Basta intimar testemunhas”, afirmou.
Conversas atribuídas a Vorcaro
Moraes também comentou a apuração de supostas conversas que teria mantido com Vorcaro por celular. A investigação considera escritos no bloco de notas do aparelho, cujas imagens teriam sido capturadas eletronicamente para envio temporário a contatos.
O ministro distinguiu esse tipo de registro de mensagens e afirmou: “extração de bloco de notas é uma coisa, mensagem é outra”. Em seguida, disse que a extração de notas não confirmaria, por si só, a existência de uma conversa.
Por fim, Moraes afirmou que Mendonça determinou uma investigação contra ele de ofício em agosto, usando dados existentes desde maio. A posição de Moraes é que o colega do STF desconsidera o entendimento da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se manifestou contra a investigação.



