A Polícia Federal investiga a destinação de uma emenda parlamentar de aproximadamente R$ 199 mil indicada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para o Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio (Ifop), no Rio de Janeiro. Mensagens encontradas no celular de Robson Calixto, conhecido como “Peixe”, mostram conversas dele com uma assessora do senador sobre a liberação dos recursos.
Calixto foi condenado no processo relacionado ao assassinato da vereadora Marielle Franco. As investigações apontam que ele mantinha ligação com Chiquinho e Domingos Brazão. O material foi apreendido pela PF durante uma operação de busca e apreensão realizada em 2024. A apuração atual examina possíveis desvios de emendas destinadas a entidades relacionadas ao grupo político dos irmãos Brazão.
Conversas sobre a verba
Maria de Fátima Bezerra Castro, assessora parlamentar de Flávio Bolsonaro, aparece no telefone de Calixto como “Fafá de Flávio Bolsonaro”. Em uma conversa de outubro de 2023, ele pede ajuda para liberar recursos e recebe a orientação de encaminhar uma solicitação formal ao gabinete.
Em outro diálogo, a assessora pergunta quando Calixto iria a Brasília. Ele responde que estaria na capital em novembro e questiona se poderia obter apoio para o projeto. Dias depois, ela pergunta se ele ainda estava com o deputado Chiquinho Brazão. Após a confirmação, sugere que os dois participem de um evento e que Calixto reforce o pedido diretamente ao senador.
Em novembro, Calixto volta a cobrar a liberação da verba para o Ifop, e a assessora diz que verificaria a situação. O Portal da Transparência registra a emenda, vinculada ao projeto “Jogadores do Futuro – Vibrando com o Time”. O pagamento de aproximadamente R$ 199 mil teria ocorrido em 29 de novembro de 2023.
O instituto fica na Taquara, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, área apontada em investigações como parte da influência política dos irmãos Brazão. A PF também analisa a execução financeira do projeto. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União identificou pagamentos que levantaram questionamentos, incluindo valores destinados a um escritório de advocacia ligado aos responsáveis pela entidade. A aplicação desses recursos ainda é investigada e não pode ser considerada desvio comprovado.
As mensagens registram ainda um pedido da assessora a Calixto por quatro ingressos para um camarote no Sambódromo do Rio durante o desfile das campeãs. Os investigadores classificaram a solicitação como possível vantagem indevida, mas a conversa, isoladamente, não comprova crime nem que o pedido tenha sido atendido em condições ilícitas.
Manifestação do senador
Flávio Bolsonaro afirmou que a emenda foi destinada dentro da legislação e dos critérios técnicos do Ministério do Esporte. Também disse que a entidade apresentou notas fiscais dos materiais adquiridos e devolveu valores que não teriam sido utilizados. Para o senador, eventuais irregularidades devem ser apuradas pelos órgãos de controle.
Ele não apresentou explicação específica sobre as conversas entre a assessora e Calixto. A defesa de Domingos Brazão informou que não atuou nesse caso, enquanto a de Chiquinho Brazão afirmou não ter conhecimento da investigação. A defesa de Robson Calixto não respondeu aos contatos divulgados.
A Polícia Federal continua a apuração para esclarecer a origem da solicitação, a participação de cada envolvido na destinação da verba e a aplicação dos recursos públicos. Flávio Bolsonaro não foi alvo de mandados na operação.




