SÃO PAULO — O candidato à Presidência Ronaldo Caiado (PSD) afirmou nesta quarta-feira (16) que o senador Flávio Bolsonaro (PL), também concorrente ao Palácio do Planalto, não reúne as condições necessárias para atuar como pacificador diante da crise institucional envolvendo o Supremo Tribunal Federal (STF).
Durante uma coletiva após um almoço com empresários promovido pelo YPO, Caiado disse que a pacificação exigiria autoridade moral e capacidade de diálogo com os Poderes. Gilberto Kassab, candidato a vice na chapa do PSD, participou do encontro.
Caiado também responsabilizou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por não ter conduzido antes uma articulação institucional. Na avaliação dele, Lula deveria ter reunido representantes dos Poderes e feito um pronunciamento à população sobre a situação do Supremo.
“Estamos vendo o Brasil simplesmente caminhar fora de rumo, batendo cabeça por todos os lados”, declarou o candidato. Para Caiado, o impasse também afeta a credibilidade do Judiciário e revela um problema de governabilidade.
Filme sobre Jair Bolsonaro
Questionado sobre as tratativas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, para obter recursos para o filme Dark Horse, Caiado afirmou acompanhar as investigações. Ele defendeu exigências mais rigorosas para quem pretende ocupar a Presidência da República.
“Ele tem que estar acima de qualquer suspeita. Ele tem que ter mãos limpas para poder governar”, disse.
Flávio Bolsonaro confirmou em maio que havia procurado Vorcaro para buscar patrocínio privado para a produção e negou ter oferecido contrapartidas ou recebido benefícios. Documentos da Polícia Federal divulgados em setembro apresentaram mensagens e cobranças relacionadas ao dinheiro destinado ao filme.
Economia e gastos públicos
Segundo Caiado, as discussões com os empresários se concentraram na conjuntura institucional e na economia. Os participantes demonstraram preocupação com a taxa básica de juros, enquanto o Comitê de Política Monetária (Copom) realizava sua reunião de setembro nesta terça e quarta-feira (15 e 16).
O candidato voltou a defender a contenção do crescimento das despesas públicas para criar espaço para juros menores. Entre as medidas citadas, está a proposta de limitar a expansão dos gastos à metade do crescimento da economia do ano anterior e realizar cortes nos Poderes após a aprovação de uma reforma administrativa.



