As candidaturas apoiadas pelos governadores Ratinho Junior, no Paraná, e Eduardo Leite, no Rio Grande do Sul, começam a corrida estadual atrás de adversários nas pesquisas. Os dois governadores encerram o segundo mandato e não disputarão um novo mandato, nem a Presidência em 2026.
Paraná
Ratinho Junior apoia o deputado federal e ex-secretário estadual Sandro Alex (PSD), já que não pode concorrer a um terceiro mandato consecutivo. No levantamento mais recente da Real Time Big Data, Sérgio Moro (PL) lidera o cenário estimulado, com 35% das intenções de voto. Sandro Alex aparece com 25%, enquanto Requião Filho (PDT) registra 21%.
O cientista político Emerson Cervi, professor titular do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Paraná (UFPR), aponta uma dificuldade histórica para o grupo do governador: nenhum dos três governadores anteriores que chegaram ao fim do segundo mandato conseguiu eleger um sucessor.
A aprovação de Ratinho Junior chegou a 79%, segundo pesquisa Quaest divulgada em 14 de agosto. Para Cervi, porém, a escolha de um candidato menos conhecido e mais dependente da imagem do governador limitou a transferência desse apoio para Sandro Alex. “Ratinho é o primeiro governador que aparece de maneira muito explícita, direta, tentando eleger o seu sucessor”, afirma.
Outro obstáculo é a presença de Sérgio Moro. De acordo com Cervi, o senador reúne uma base própria ligada ao lavajatismo e também se aproximou do eleitorado bolsonarista após a filiação ao PL. Essa combinação ajuda a explicar a liderança de Moro na disputa pelo governo estadual.
A estratégia do grupo de Ratinho Junior não dependeria necessariamente de uma vitória de Sandro Alex no primeiro turno. A prioridade inicial seria levar o candidato ao segundo turno e, nessa etapa, buscar votos de eleitores de centro e de esquerda que hoje aparecem associados a Requião Filho. A participação do governador na propaganda eleitoral faz parte desse esforço.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) tenta se firmar como sucessor de Eduardo Leite, mas enfrenta uma avaliação dividida da administração estadual. Pesquisa Quaest divulgada em 24 de agosto mostrou que 42% dos gaúchos aprovam o governo, enquanto 45% desaprovam. Além disso, 56% afirmam que Leite não merece eleger um sucessor.
O cenário eleitoral também favorece outros nomes. Pesquisa Real Time Big Data divulgada na última quinta-feira, 10, apontou Luciano Zucco (PL) com 26%, Juliana Brizola (PDT) com 23% e Gabriel Souza com 9%.
Para Carlos Borenstein, analista político da Arko Advice, o vice-governador precisa aproveitar o capital político de Leite sem ficar excessivamente associado aos desgastes da gestão. Gabriel também enfrenta alto grau de desconhecimento: 72% do eleitorado gaúcho ainda não o conhecem suficientemente.
A tentativa de Eduardo Leite de viabilizar uma candidatura à Presidência retardou, na avaliação de Borenstein, a formação da aliança para sustentar Gabriel Souza. PP, União Brasil e Republicanos, que integravam a base governista, se aproximaram de Luciano Zucco.
Gabriel ainda disputa o eleitorado de centro com Juliana Brizola, candidata de centro-esquerda apoiada pelo PT. A campanha do emedebista afirma que a parceria com Leite é um ativo e que o candidato está mais conhecido após participar de programas de rádio e televisão, caminhadas, sabatinas e entrevistas.
A equipe apresenta Gabriel como candidato de continuidade, mas também de mudança. Entre as prioridades citadas estão o uso de recursos da renegociação da dívida com o Governo Federal para investimentos em educação, a ampliação da tecnologia de irrigação e a qualificação de jovens para o mercado de trabalho.



