Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Café com cafeína e chá moderados são associados a menor risco de demência

Estudo com dados de décadas relacionou o consumo moderado de café e chá com cafeína a menor risco de demência, sem provar causa e efeito.

Café com cafeína e chá moderados são associados a menor risco de demência

Um estudo publicado na JAMA em fevereiro de 2026 associou o consumo regular e moderado de café ou chá com cafeína a uma menor probabilidade de desenvolver demência. A análise foi conduzida por pesquisadores da Harvard T.H. Chan School of Public Health, do Mass General Brigham e do Broad Institute.

O café descafeinado não apresentou a mesma associação. Para os pesquisadores, essa diferença ajuda a investigar o possível papel da cafeína, embora os resultados não provem que o consumo dessas bebidas previna a demência.

Café e acompanhamento de até 43 anos

A pesquisa reuniu dados de dois estudos de saúde dos Estados Unidos. O Nurses’ Health Study acompanhou 86.606 mulheres desde 1980. Já o Health Professionals Follow-up Study acompanhou 45.215 homens desde 1986. No início do acompanhamento, nenhum dos participantes tinha câncer, doença de Parkinson ou demência.

Os participantes informaram seus hábitos de consumo repetidamente, em intervalos de dois a quatro anos, durante décadas. Esse desenho é chamado de estudo de coorte prospectivo: os hábitos são registrados antes de se saber quem desenvolverá uma doença.

O acompanhamento durou até 43 anos, e 11.033 participantes desenvolveram demência, identificada por diagnósticos médicos e registros de óbito. Após considerar diferenças relacionadas à saúde e ao estilo de vida, o grupo que mais consumia café com cafeína apresentou cerca de 18% menos risco de demência em comparação com o grupo de menor consumo.

Também houve uma diferença pequena na percepção sobre a própria capacidade mental. Entre os maiores consumidores de café, 7,8% relataram sensação de piora na memória ou no raciocínio, contra 9,5% entre os menores consumidores. O grupo de maior consumo ainda teve desempenho ligeiramente melhor em um teste cognitivo realizado por telefone.

O padrão observado no chá

O consumo de chá também foi associado a resultados mais favoráveis. As pessoas que bebiam mais chá apresentaram cerca de 14% menos risco de desenvolver demência e tiveram resultados ligeiramente melhores em avaliações de raciocínio e memória.

A relação mais forte apareceu em uma faixa intermediária de consumo. A associação foi observada com cerca de duas a três xícaras de café com cafeína ou uma a duas xícaras de chá por dia, quantidade equivalente a aproximadamente 300 miligramas de cafeína. Acima desse nível, não houve benefício adicional claro.

Como os participantes relataram os hábitos ao longo de décadas, os resultados representam padrões persistentes de consumo, e não apenas o que uma pessoa bebe em um dia específico.

O que o descafeinado indica

A equipe analisou separadamente o café comum e o descafeinado. Entre os consumidores de café descafeinado, não foi observada menor probabilidade de demência nem melhora nos testes cognitivos.

O descafeinado mantém o ritual, o contexto social e muitos compostos vegetais presentes no café, mas contém menos cafeína. Por isso, a ausência da mesma associação nesse grupo faz da cafeína uma possível explicação para os resultados. Ainda assim, a comparação tem limitações: pessoas que optam pelo descafeinado podem ter características diferentes, inclusive preocupações prévias com a saúde.

Os participantes tinham, em média, cerca de 46 anos entre as mulheres e 54 anos entre os homens quando o acompanhamento começou. Assim, os hábitos avaliados eram principalmente relacionados à meia-idade, período que pode ser relevante para a saúde cerebral no longo prazo.

Limites da interpretação

Os pesquisadores ressaltam que o estudo não consegue demonstrar uma relação de causa e efeito. Consumidores de café podem diferir de quem não bebe café em aspectos que os questionários não captaram. Também é possível que pessoas em fases iniciais e ainda não reconhecidas de declínio da memória reduzam gradualmente o consumo habitual, fazendo com que o grupo de não consumidores pareça ter resultados piores.

As diferenças nos testes de raciocínio foram pequenas, e uma medida geral da capacidade de pensamento ficou pouco abaixo do nível de significância estatística. O tamanho da pesquisa, o acompanhamento prolongado, as avaliações repetidas e a comparação com o café descafeinado dão maior consistência ao achado, mas não eliminam essas limitações.

Na prática, os dados apontam para a moderação. Pessoas que já consomem café ou chá e lidam bem com a cafeína não necessariamente precisam abandonar o hábito. O resultado não muda, porém, a recomendação individual para quem tem problemas de sono, ansiedade ou outras condições de saúde que tornam a cafeína inadequada.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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