Uma pesquisa da Universidade Flinders, na Austrália, identificou informações enganosas ou imprecisas em 68% dos conteúdos sobre saúde e alimentação publicados no TikTok e no Instagram. O estudo avaliou 300 vídeos e foi publicado no Journal of Technology in Behavioral Science.
Os pesquisadores selecionaram publicações associadas às hashtags #healthylifestyle, #nutrition e #cleaneating. Além de verificar a precisão das orientações, a equipe analisou sinais relacionados à ortorexia nervosa, transtorno alimentar marcado pela preocupação excessiva com a alimentação e pela adoção de regras rígidas.
Entre os vídeos avaliados, 67% concentravam-se em escolhas alimentares associadas ao bem-estar. Quase um terço incentivava limitar ou evitar determinados alimentos, e uma em cada cinco publicações classificava comida como “boa” ou “ruim”.
A principal autora, Katie Porteous, afirmou que a ortorexia nervosa envolve mais do que o interesse por uma alimentação saudável. Segundo ela, a condição inclui uma fixação em consumir alimentos considerados corretos e evitar os vistos como não saudáveis.
Diferenças entre Instagram e TikTok
A relação entre alimentação e aparência apareceu de forma diferente nas duas plataformas. No Instagram, 78% dos vídeos apresentavam objetificação corporal. No TikTok, o índice foi de 48%.
Os pesquisadores também encontraram maior frequência de pessoas com corpos magros e musculosos no Instagram, além de mensagens que associavam escolhas alimentares à aparência. No TikTok, os conteúdos tenderam a relacionar a alimentação à saúde e ao bem-estar geral.
Porteous disse que algumas publicações sugeriam que comer como o criador permitiria alcançar a mesma aparência. A pesquisadora ressaltou que a saúde é influenciada por fatores como genética, estilo de vida, cultura e circunstâncias pessoais, e que não existe uma dieta única adequada para todos.
Qualificação dos criadores
A pesquisa apontou que 78% dos criadores não tinham qualificação específica em nutrição, dietética ou ciências do exercício. Entre os profissionais qualificados, 45,5% das orientações foram consideradas precisas. Entre os influenciadores sem formação específica, a proporção caiu para 4,7%.
Suplementos e os chamados “superalimentos” apareceram em cerca de três quartos das publicações. Para os pesquisadores, os resultados indicam a necessidade de verificar a formação de quem apresenta uma recomendação antes de alterar hábitos alimentares com base em vídeos.
Ivanka Prichard, professora e especialista em imagem corporal que também participou do estudo, afirmou que algumas mensagens parecem promover saúde, mas podem estimular padrões rígidos e perfeccionistas. Para ela, uma alimentação saudável deve ser flexível, prazerosa e sustentável, sem ser definida pela perfeição, pela restrição ou pela aparência.



