A doença de Creutzfeldt-Jakob causou a morte do influenciador Lito Sousa, especialista em aviação, aos 59 anos. Ele morreu nesta quinta-feira, 1º, depois de receber o diagnóstico no fim de agosto. A confirmação foi divulgada pela esposa dele, Mila Seidl, nas redes sociais.
A condição não tem cura e afeta funções neurológicas e motoras. Conforme dados do Ministério da Saúde, aproximadamente 90% das pessoas acometidas evoluem para óbito em um ano.
O que é a doença
A doença de Creutzfeldt-Jakob é uma Encefalopatia Espongiforme Transmissível que atinge seres humanos e provoca alterações de aspecto esponjoso no cérebro. A causa está relacionada ao príon, uma partícula proteinácea infectante menor que um vírus.
A doença provoca deterioração acelerada das funções psicomotoras, com progressão mais rápida que a observada em outras formas de demência. O Ministério da Saúde classifica a condição em formas esporádica, hereditária e iatrogênica.
A forma esporádica não tem causa ou fonte infecciosa conhecida e não apresenta padrão de transmissão familiar. Ela corresponde a cerca de 85% dos casos confirmados. A hereditária está ligada a mutações no gene PRNP e representa de 5% a 15% dos registros. Já a forma iatrogênica é rara e pode ocorrer após exposição acidental a equipamentos cirúrgicos contaminados ou transplantes de tecidos.
Não há evidência científica de transmissão pelo ar, por abraços, beijos, contatos sociais cotidianos ou pelo compartilhamento de copos e utensílios domésticos.
Sintomas e diagnóstico
Entre as manifestações estão demência, perda de memória, tremores, desordem cerebral, falta de coordenação motora, alterações visuais e espasmos musculares. Com a evolução, também podem ocorrer insônia, depressão e paralisia. Mila Seidl relatou que Lito Sousa sofreu perdas motoras aceleradas nas últimas semanas, mas manteve a lucidez.
Na fase de suspeita, podem ser usados Eletroencefalograma (EEG), Ressonância Magnética (RM), Tomografia Computadorizada (TC) e análise do líquido cefalorraquidiano para detectar a Proteína 14-3-3. A confirmação definitiva depende da análise neuropatológica do tecido cerebral, por biópsia ou necropsia.
Não existe tratamento científico capaz de reverter ou conter a evolução fatal. A assistência médica é voltada ao suporte paliativo, ao controle de complicações e ao apoio multidisciplinar ao paciente e à família.



