MARANHÃO — O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses passa por transformações contínuas provocadas pela combinação entre ventos costeiros, chuvas sazonais e evaporação. A unidade de conservação tem cerca de cento e cinquenta e seis mil hectares protegidos, dos quais aproximadamente noventa mil são cobertos por campos de areia.
A movimentação das dunas ocorre porque as correntes de ar transportam partículas de quartzo pela planície litorânea. Em algumas áreas, os montes arenosos avançam vinte e cinco metros anualmente. O deslocamento costuma variar entre quatro e vinte metros ao ano, alterando os caminhos naturais e encobrindo trilhas na região.
Lagoas dependem das chuvas
Durante a estação chuvosa, a água se acumula nas depressões entre as dunas. Uma camada impermeável subterrânea impede que o volume escoe totalmente, elevando o lençol freático até a superfície. O processo forma centenas de lagoas de água doce, com tonalidades entre azul-turquesa e verde-esmeralda.
Na estiagem, a insolação elevada intensifica a evaporação e reduz o volume das lagoas. Com o secamento das poças temporárias, os bancos de areia voltam a ficar expostos à ação dos ventos. Quando as chuvas retornam, as lagoas reaparecem em posições diferentes, renovando a configuração dos reservatórios.
Entre os fatores que influenciam esse ciclo estão a evaporação provocada pelo calor, a redução do nível do lençol freático e a redistribuição dos sedimentos pelos ventos.
Reconhecimento e proteção
A singularidade das formações de areia e dos recursos hídricos levou os Lençóis Maranhenses a ser reconhecidos pela Unesco como patrimônio natural da humanidade. A administração do parque pelo ICMBio contribui para a proteção dos processos naturais e da biodiversidade adaptada às variações climáticas da área.



