Lilian Pacce construiu uma trajetória marcada pela aproximação entre moda, cultura e comportamento. Desde a década de 1980, quando começou a cobrir o tema no jornal Folha de S.Paulo, ela ajudou a ampliar o espaço dedicado às passarelas e às discussões sobre a indústria no Brasil. Atualmente, volta sua atenção para as artes visuais e para a divulgação de talentos nacionais no exterior.
A entrada na moda ocorreu por acaso. Lilian trabalhava com arte e passou a produzir conteúdos sobre roupas e desfiles a pedido da chefia. Como não havia faculdade de Moda no Brasil, formou-se de maneira autodidata, com entrevistas, livros e revistas brasileiras e estrangeiras. Naquele período, as publicações importadas podiam chegar às bancas com meses de atraso.
Quando o caderno Ilustrada foi reformulado, ela sugeriu que a moda fosse tratada como parte da cultura diária e que os principais desfiles do eixo Paris-Milão-Londres-Nova York recebessem cobertura semelhante à de eventos de arte e cinema. A proposta buscava afastar a ideia de que o assunto era exclusivamente feminino e apresentá-lo também como um reflexo das transformações sociais.
Lilian também levou o tema à televisão. Entre seus trabalhos, comandou o GNT Fashion por 18 anos e publicou livros sobre biquínis, criadores, meio ambiente e moda. Ela ainda lecionou na FGV, na FAAP, na Anhembi Morumbi e no Senac.
“Vejo esses closets de 200 metros quadrados e acho indecente porque a pessoa não tem nem tempo de vida para usar tudo aquilo”, afirma. Para a jornalista, o excesso de consumo pode estar relacionado à insegurança. Ela defende que a moda não se resume ao preço das peças, mas às escolhas de cada pessoa.
A sustentabilidade passou a ocupar espaço central em seu trabalho. Em 2008, criou a área Recicle-se em seu site, depois de ser impactada pelo documentário Uma Verdade Inconveniente, lançado em 2006. Desde então, passou a defender que o futuro da moda depende de soluções ligadas ao meio ambiente, incluindo biomateriais que possam substituir materiais como o poliéster.
Nos últimos anos, Lilian morou em Londres, onde fez mestrado na University of the Arts London, em 2023. Também liderou o Brazil: Creating Fashion for Tomorrow, projeto realizado durante a London Fashion Week para apresentar exposições e debates sobre criatividade, inovação e práticas regenerativas de designers, pesquisadores e artesãos brasileiros.
De volta ao Brasil desde o início do ano, ela vive com o jornalista Leão Serva, seu marido há 40 anos. Os dois têm três filhos. Em 2025, o projeto foi realizado durante a Semana do Clima, em Londres. Para 2026, a proposta escolhida foi a caatinga, tema apresentado em uma exposição durante a London Climate Action Week, em junho.
Na pesquisa para as artes visuais, Lilian tem priorizado projetos feitos por mulheres e técnicas como o bordado. Ela também é curadora da exposição imersiva Natureza Tecida — Somos Um Único Fio, de Sandra Anselmi, que permanece em cartaz até o fim agosto no Mata Lab. Em suas atividades no Brasil e na Inglaterra, mantém o objetivo de divulgar a produção nacional e criar conexões entre o público, a moda, a inovação e a sustentabilidade.



