Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Aos 68 anos, ex-funcionária da limpeza retorna à escola como aluna

Após interromper os estudos na infância, Lúcia enfrenta desafios para concluir a educação básica e conquistar mais autonomia.

Aos 68 anos, ex-funcionária da limpeza retorna à escola como aluna
Foto: Imagem gerada por inteligência artificial/Catraca Livre

Aos 68 anos, Lúcia voltou à escola onde trabalhou durante duas décadas na limpeza. Desta vez, entrou como aluna, com um caderno novo e o nome na lista de estudantes. No primeiro dia, chegou vinte minutos antes e se sentou pela primeira vez em uma carteira. Quando a professora chamou seu nome, respondeu “presente”.

Lúcia deixou os estudos aos dez anos para ajudar a mãe em trabalhos domésticos e cuidar dos irmãos menores. O retorno, tratado pela família como provisório, não aconteceu. Mais tarde, ela aprendeu a reconhecer ônibus, preços e nomes pela repetição, mas escondia as dificuldades de leitura quando precisava preencher formulários.

Na vida adulta, trabalhou em cozinhas e depois na limpeza da escola. Conhecia os horários, as salas e as rotas das turmas, mas nunca entrava durante as aulas. No fim do dia, enquanto apagava as palavras do quadro, tentava ler o que permanecia nos cantos.

A decisão de estudar novamente ganhou força depois que Lúcia recebeu uma mensagem sobre uma reunião familiar e precisou pedir ajuda à neta para ler. Cansada de depender de outras pessoas para compreender avisos, ela procurou a secretaria após saber que havia uma turma noturna para adultos e idosos. Antes disso, guardou a informação por dois meses.

Desafios no retorno

O início foi marcado pelo desconforto com a carteira, o silêncio e a necessidade de copiar a data. Suas mãos tremiam e a pressão do lápis chegou a rasgar a folha. A professora ensinou como apoiar o braço e orientou a turma a compreender o erro antes de apagá-lo.

Colegas mais jovens ajudaram Lúcia a usar o aplicativo de avisos. Em troca, ela compartilhou formas de organizar materiais aprendidas no trabalho. Fora da sala, enfrentou o deslocamento de ônibus à noite, a necessidade de óculos novos, um apartamento barulhento e os cuidados com um parente em alguns dias da semana.

A tecnologia também trouxe dificuldades. A neta desenhou um guia para explicar cada botão, mas não fez os exercícios por ela. Aos poucos, Lúcia deixou de pedir que alguém abrisse as tarefas e passou a perguntar onde havia errado.

Os filhos demonstraram orgulho, embora tentassem protegê-la em excesso. Lúcia aceitou carona e leitura conjunta quando necessário, mas quis manter o lápis na própria mão. Para ela, ajuda não deveria significar substituição.

Seu objetivo é ler um livro inteiro, escrever mensagens com mais segurança, compreender as contas domésticas e preencher cadastros com autonomia. O diploma é importante, mas cada aviso lido sozinha já representa uma mudança. Meses depois, continua na última fileira para enxergar melhor o quadro. Ao ouvir seu nome, abre o caderno e sabe por que decidiu ficar.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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