A tentativa de fazer várias coisas ao mesmo tempo pode produzir uma sensação imediata de eficiência, mas também deixar como resultado cansaço, desatenção e dificuldade para relaxar. Atividades combinadas no cotidiano, como participar de uma reunião enquanto se prepara o jantar ou resolver assuntos pelo telefone durante um deslocamento, nem sempre terminam bem.
Quando as tarefas são alternadas continuamente, informações importantes podem ser esquecidas, compromissos acabam não sendo registrados e atividades simples ficam incompletas. A impressão de que tudo foi resolvido pode dar lugar a uma cabeça acelerada e à dificuldade de desligar o cérebro na hora de dormir.
O limite da atenção
Pesquisadores citados no texto afirmam que o cérebro humano não consegue manter vários focos conscientes ao mesmo tempo. No máximo, sustenta um ou dois pensamentos de forma consciente; o restante seria uma combinação de ilusão de controle e exaustão.
Estudos recentes também associam o funcionamento multitarefa à busca por recompensas rápidas, à tendência de subestimar o tempo gasto em cada atividade e a uma maior dificuldade de autorregulação. Nesse cenário, a pessoa pode ficar mais cansada e dispersa, além de recorrer com mais frequência ao celular.
A ideia de que fazer muitas coisas simultaneamente representa competência também é questionada. Essa capacidade costuma ser atribuída especialmente às mulheres, mas o desgaste envolvido nessa rotina raramente recebe a mesma atenção.
Concentrar-se em uma atividade por vez não significa falta de ambição ou preguiça. Pode ser uma forma de reduzir a correria, preservar a atenção e cuidar do próprio bem-estar. A multitarefa, quando tratada como obrigação permanente, pode deixar de ser uma demonstração de eficiência e se transformar em fonte de desgaste.



