Um projeto de paisagismo apresentado na CASACOR Brasília 2026 reúne espécies nativas e adaptadas ao Cerrado com materiais reaproveitados. Criado pelo Estúdio Solo, o ambiente “O Avesso do Chão” ocupa 1.280 m² e foi planejado para considerar as condições do bioma, incluindo os períodos de seca.
A proposta mostra que a escolha das plantas deve partir da observação do clima e do solo, e não apenas da aparência das espécies. No Cerrado, a vegetação precisa lidar com períodos prolongados de seca e com características específicas do solo. Uma planta adaptada a outra região do Brasil pode não apresentar o mesmo desempenho nesse ambiente. Também é necessário avaliar se determinada espécie pode competir com a vegetação nativa e se tornar invasora.
Espécies nativas e mudanças ao longo do ano
Entre as plantas originárias do Cerrado usadas no projeto estão a copaíba, a gueroba e a orelha-de-onça. A composição inclui ainda gramíneas ornamentais, arbustos e plantas floridas, que ajudam a formar diferentes texturas e volumes sem afastar o jardim das características naturais da região.
O paisagismo também considera as transformações da vegetação ao longo das estações. Algumas espécies mudam de cor, aparência, floração e frutificação conforme as condições climáticas. Dessa forma, o espaço pode apresentar novos aspectos durante o ano, sem precisar conservar o mesmo visual em todos os períodos.
Reaproveitamento na área externa
A reutilização de materiais aparece no piso do ambiente, feito com telhas provenientes de demolições. Depois de cortadas e combinadas com adobe, elas ganharam uma nova função no jardim. A solução preserva texturas e marcas do tempo, além de mostrar que materiais sem uso podem ser incorporados ao paisagismo.
A proposta combina espécies adequadas ao bioma, menor demanda por água e reaproveitamento de materiais. O resultado é um jardim pensado para respeitar as características do território e reduzir intervenções desnecessárias na área externa.



