Resíduos de obras, plástico e sobras do processamento de pedras estão sendo usados como matéria-prima para novos materiais de construção. As soluções podem reduzir o desperdício, diminuir a demanda por recursos naturais e dar outras funções a itens que seriam descartados.
Tijolo com resíduos de construção
O K-Briq foi desenvolvido pela brasileira Gabriela Medero na Universidade Heriot-Watt, na Escócia. O tijolo tem cerca de 90% de resíduos de construção e demolição em sua composição e não depende da queima tradicional usada na fabricação de peças de argila.
A alternativa reduz o consumo de energia e evita parte das emissões associadas ao método convencional. A proposta também prevê aproximar a produção do local onde os resíduos são gerados. De acordo com Gabriela Medero, fabricar o material em instalações de reciclagem pode reduzir a necessidade de transportar grandes volumes de descarte por longas distâncias.
Madeira produzida com plástico
Resíduos de plástico de alta densidade são a base da madeira plástica, que pode ser aplicada em revestimentos, móveis e outros elementos da arquitetura. O material apresenta resistência e durabilidade e surge como opção para usos que normalmente empregariam madeira convencional.
A empresa brasileira Reset transforma resíduos plásticos em peças de madeira ecológica. Com isso, materiais que poderiam ser descartados são reinseridos na produção. A resistência também pode diminuir a frequência de manutenção em alguns projetos.
Mármore reaproveitado no granilite
O designer Robin Grasby criou o Altrock, material inspirado no terrazzo e feito principalmente com resíduos do processamento de mármore. Sua composição combina pó, lascas, pedaços e fragmentos quebrados da pedra com uma pequena quantidade de resina, usada para unir os componentes.
O produto pode ser usado em bancadas, mesas, revestimentos e ladrilhos. Como as sobras variam entre as peças, cada composição apresenta características próprias.
As soluções têm em comum a transformação de resíduos em matéria-prima. A escolha de um material sustentável, porém, envolve avaliar a aplicação, a durabilidade, a origem e o processo de fabricação. Assim, o reaproveitamento passa a fazer parte das decisões sobre o impacto de uma construção, além de funcionar como recurso estético.



