Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Sobrevivente das Torres Gêmeas relata culpa, trauma e mudanças após os atentados

Hans Gernot Schenk estava a cerca de 25 metros da Torre Norte quando viu pessoas fugirem e a explosão do segundo avião.

Sobrevivente das Torres Gêmeas relata culpa, trauma e mudanças após os atentados
Foto: Hans Gernot Schenk/BBC News Brasil

Hans Gernot Schenk trabalhava havia mais de um ano no World Trade Center, em Nova York, quando os atentados de 11 de setembro de 2001 destruíram as Torres Gêmeas. Naquele dia, ele chegou ao escritório cerca de 10 minutos mais tarde do que de costume, depois de passar a noite com a pessoa com quem se relacionava. A diferença provavelmente o salvou.

Colombiano-alemão, Schenk hoje tem 55 anos. Entre os objetos que guarda daquele período estão uma pequena chave de bronze, um cartão de acesso eletrônico e um celular Nokia. Ele também perdeu amigos e viu desaparecer o local que representava um dos principais sonhos de sua vida: morar em Nova York e trabalhar nas torres que admirava desde a infância.

A fuga das Torres Gêmeas

Schenk estava a cerca de 25 metros das portas giratórias da Torre Norte, onde funcionava seu escritório, quando viu pessoas correndo em pânico. Ele observou a fumaça preta no alto do edifício, mas não compreendeu inicialmente a dimensão do que estava acontecendo.

Pouco depois, a explosão provocada pelo segundo avião passou sobre sua cabeça. Papéis e objetos voaram, enquanto uma nuvem negra e vermelha tomou o local. Em reação, ele protegeu a cabeça e correu até uma escadaria próxima a uma estação de metrô. Desceu rapidamente e saltou a catraca.

Na plataforma vazia, encontrou apenas uma senhora. Schenk disse a ela que não deveria sair, porque havia bombas. Mais tarde, na estação Canal Street, duas jovens contaram que aviões comerciais tinham atingido as Torres Gêmeas. Mesmo depois de ter visto a explosão, ele ainda não conseguia entender o que havia acontecido.

Sem conseguir falar com os colegas porque a rede telefônica estava fora do ar, voltou para casa. Diante da televisão, viu primeiro uma das torres desabar e, poucos minutos depois, a segunda. O colega de apartamento comentou que ele não precisaria retornar ao trabalho. Para Schenk, a situação era surreal: sua mesa, seu espaço e o escritório já não existiam.

O escritório e os colegas

Schenk trabalhava para uma empresa alemã de logística internacional. Depois de estudar Geografia Humana, Economia e Logística na Alemanha, conseguiu um estágio enquanto estudava na Universidade de Nova York. Ao concluir os estudos, foi contratado como gerente regional de vendas.

Seu escritório ficava no 32º andar, na sala 3271, e reunia cerca de 25 pessoas. O ambiente fazia parte de uma rotina de amizades, almoços e encontros no Windows of the World, localizado nos andares 106 e 107 da Torre 1. Exercícios de evacuação eram realizados desde o ataque ao World Trade Center em 1993, mas os funcionários não chegavam a descer pelas escadas durante os simulados.

Nos dias seguintes, a equipe se reuniu em um escritório próximo ao aeroporto JFK. Duas pessoas estavam desaparecidas. Uma delas era Ingeborg Joseph, conhecida como Inga, chefe de Schenk durante o estágio. Ela sobreviveu ao ataque, mas sofreu queimaduras e permaneceu internada por várias semanas antes de morrer. O outro colega era Eddie Reyes, que trabalhava na empresa havia duas semanas. Sua identificação foi encontrada em um dos elevadores.

A empresa orientou os funcionários a continuar trabalhando como se nada tivesse acontecido. Schenk afirma que os executivos não compreenderam o impacto do atentado nem o estado de choque e o luto da equipe. Ele pediu demissão em novembro daquele ano e voltou para a Alemanha em dezembro de 2001.

Efeitos psicológicos e físicos

Depois dos atentados, fogos de artifício passaram a provocar tremores e dificuldade para olhar para o alto. Viajar de avião se tornou uma experiência angustiante, especialmente em voos transatlânticos. Até andar de carro no banco do passageiro ficou estressante, e ele fazia o movimento de frear como se estivesse dirigindo.

Em outubro de 2002, durante uma viagem a Nova York, teve uma gripe muito forte. Ao retornar a Berlim, apresentou uma crise de psoríase, condição autoimune que desconhecia. Quase todo o corpo ficou coberto por lesões, com exceção das mãos e do rosto. Schenk relacionou o quadro ao estresse provocado pelos acontecimentos e concluiu que ainda não havia processado o que vivera.

Em 2004, quando morava no Rio de Janeiro, foi sozinho ao cinema assistir a um documentário sobre os atentados. O filme começou com a tela escura e sons de fundo. Ao ouvir o áudio correspondente ao impacto do segundo avião, ele se jogou no chão entre as poltronas, reagindo ao som como se estivesse novamente entre as torres.

A experiência de ter sobrevivido continua acompanhada por sentimentos contraditórios. Schenk se considera sortudo e relata momentos de felicidade, gratidão e otimismo. Ao mesmo tempo, afirma que às vezes sente culpa por ter recebido novas oportunidades enquanto outras pessoas morreram.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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